Sandman: adaptação precisa de saga fantástica

Sandman: adaptação precisa de saga fantástica

Quando a Netflix anunciou que iria adaptar os quadrinhos de Sandman para uma série, os fãs receberam a notícia com empolgação, mas também com certa desconfiança. Afinal, as últimas produções do streaming baseadas em clássicos da cultura geek – como Resident Evil: A Série, Cowboy Bebop e O Legado de Júpiter – não caíram no gosto do público. E podemos dizer que, 34 anos após sua publicação, a obra de Neil Gaiman acumulou “admiradores exigentes”.

Como dito nas primeiras impressões (pudemos assistir antecipadamente aos 3 episódios iniciais, que a Netflix atenciosamente nos enviou), a produção desenvolvida por David S. Goyer (Foundation) e Allan Heinberg (Grey’s Anatomy) em parceria com Gaiman se propôs a narrar os arcos “Prelúdios e Noturnos” e “A Casa das Bonecas”. Nesta 1ª temporada formada por 10 capítulos de cerca de 45min de duração, o resultado foi precisão nas cenas e diálogos dos gibis.

É claro, o programa contou com alterações em relação ao tempo atual – pois o material original saiu no final dos anos 1980. Outro ponto a se destacar foi a mudança de gênero de personagens como Johanna Constantine (Jenna Coleman, de Doctor Who), Lucienne (Vivienne Acheampong, de The One) e Lúcifer (Gwendoline Christie, de Game of Thrones). Contudo, todas elas roubaram a cena, dando mais carisma e personalidade para a adaptação.

Escolhas perfeitas

Antes de se comentar o enredo, é preciso exaltar o casting. Tom Sturridge (Sweetbitter), mesmo pouco conhecido, encarnou o protagonista Sonho, o rei do “Sonhar” (realidade acessada pelos dormentes); à medida que o veterano David Thewlis (Lupin, de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban) faz o decadente vilão John Dee tão aterrador quanto nos quadrinhos. Boyd Holbrook (Logan) diverte em interpretação primorosa como o diabólico Coríntio.

Poder do intangível

Sonho, Morte, Desejo e Desespero são algumas das personificações de aspectos da vida vistas no seriado. Tais entidades caminham entre a humanidade, algumas vezes agindo a bel-prazer, outras tentando entender o propósito de sua criação. Fato é que, na trama, os chamados “Perpétuos” acabam confrontados pelo que representam. Assim, Sonho percebe que o ato de sonhar pode ser transformador. Já Lucífer descobre que não existe danação que derrote a esperança.

Dito tudo isso, a série de Sandman na Netflix traz ao live-action uma recriação excelente do que Neil Gaiman imaginou para sua mitologia e do que colocou no papel. Caso você já tenha lido, será um bem-vindo reencontro com figuras icônicas. Mas, se ainda não teve o prazer de folhear tais quadrinhos, a atração é um ótimo convite para isso.

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