Esquadrão Suicida: Acerto de Contas é tiro, porrada e bomba

O Esquadrão Suicida tem sido uma aposta recorrente da DC Comics. Embora o longa de 2016 tenha ficado aquém do esperado, o time de vilões ganhará uma nova produção em 2021, comandada por James Gunn (Guardiões da Galáxia) e com a brasileira Alice Braga (Predadores) no elenco.

Nas animações, o grupo já apareceu no ótimo Batman: Assalto em Arkham, de 2016, e repetiu a dose dois anos depois, em Esquadrão Suicida: Acerto de Contas, história que faz parte do universo compartilhado da DC – criado em 2013, com Liga da Justiça: Ponto de Ignição.

Cobra Venenosa, Tigre de Bronze, Pistoleiro, Amanda Waller, Capitão Bumerangue e Nevasca

Cobra Venenosa, Tigre de Bronze, Pistoleiro, Amanda Waller, Capitão Bumerangue e Nevasca são recrutas de Waller.

Assim como outros longas animados, este tem direção de Sam Liu e um elenco de peso de dubladores, encabeçado por Christian Slater (Mr. Robot) como Pistoleiro. A lista ainda traz Vanessa Williams (The Librarians) como Amanda Waller, Billy Brown (Como Defender um Assassino) como Tigre de Bronze, Kristin Bauer van Straten (Animais Noturnos) como Nevasca, enquanto a veterana Tara Strong (Batman: A Piada Mortal) dá voz à Arlequina. Gideon Emery (Pânico: A Série de TV) como Cobra Venenosa, e Liam McIntyre (Spartacus) como o Capitão Bumerangue.

Tiro, porrada, bomba e nudes  

Na história, o time de vilões é mais uma vez reunido por Amanda Waller para executar uma missão em troca da redução de suas penas. O serviço: recuperar um misterioso cartão de um stripper. O tal cartão, teoricamente, garante que uma pessoa, ao morrer, vá direto ao céu, sem nenhuma espécie de julgamento divino, se livrando da chance de ir ao inferno. Ainda que tenha uma cometido uma infinidade de pecados.

Quase nenhum desafio, certo? Errado. Vandal Savage (Jim Pirri, de Batwoman) e o Flash Reverso (C. Thomas Howell, de Criminal Minds) estão atrás do cartão, liderando uma galeria de outros maus elementos, como Arrasa-Quarteirão (Dave Fennoy, do game Batman: Arkham Knight) e Banshee Prateada (Julie Nathanson, de Os Vingadores Unidos).

Para variar, Amanda Waller, da A.R.G.U.S., tem um servicinho sujo para o Esquadrão Suicida.

Para variar, Amanda Waller, da A.R.G.U.S., tem um servicinho sujo para o Esquadrão Suicida.

Outro destaque em Esquadrão Suicida: Acerto de Contas é o modo como a animação faz questão de mostrar o quanto foi feita para maiores de 18 anos. Não bastasse as doses cavalares de violência gráfica, como seria de se esperar, e um dos primeiros atos do desenho se passar em um clube adulto, há ainda a nudez levemente explícita de Nocaute (Cissy Jones, de A Casa da Coruja) em uma cena com a também vilã Escândalo (Dania Ramirez, de Once Upon a Time).

Protagonismo dividido

Cheio de reviravoltas e ligado diretamente aos acontecimentos ao Ponto de Ignição, Acerto de Contas vai bem em não tentar transformar os vilões em heróis, que se preocupariam com danos colaterais das ações ou que têm algum código de honra, por exemplo. Eles estão dispostos a tudo para cumprir a missão em troca de redução das suas sentenças e se mantêm na linha porque há explosivos implantados em suas cabeças. Simples assim.

Fora o mistério em torno das motivações de Waller para ir em busca do cartão, o roteiro reserva suas boas surpresas, como o debate sobre a veracidade do cartão no trailer, que serve de base móvel para a equipe de vilões. Vida, morte, fé, a existência do céu e do inferno, bem como consequências de seus atos são assuntos abordados pelo grupo com bons diálogos, que deixam o título, digamos, menos descerebrado.

Arlequina, Pistoleiro, Capitão Bumerangue e Cobra Venenosa em Acerto de Contas

Como no filme em live-action, Arlequina, Pistoleiro e Capitão Bumerangue recebem destaque.

O tempo de cena bem dividido da equipe é outro ponto que vale comentar. Ainda que Pistoleiro seja o protagonista e a Arlequina tenha tendência a roubar as atenções, ninguém é ofuscado e todos têm sua cota de passagens memoráveis na história. Mesmo quem é mais coadjuvante na trama.  Mais um acerto, portanto. E um bem importante, pois mostra que o time de criação está disposto a ousar o quanto for preciso. Desde que isso faça sentido para a narrativa.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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