Marvel’s Inhumans: Erro (in)humano destrona Família Real na 1ª temporada

Num esforço contínuo de fazer com que os Inumanos alcançassem a importância dos X-Men, a Casa das Ideias apostou na produção da série Marvel’s Inhumans, para contar a história da chamada Família Real de Attilan – uma cidade na Lua. Idealizada por Scott Buck (Punho de Ferro), a atração, que seria um projeto para o Universo Cinematográfico Marvel, teve sua 1ª temporada composta por 8 episódios, sendo o primeiro seriado filmado com câmeras IMAX. Porém, não foi dessa vez que estes icônicos personagens tiveram uma adaptação à altura.

Adotando estilo épico, a série tem o Rei Raio Negro (Anson Mount, de Hell on Wheels) sondando a Terra à procura de recursos e a crescente população inumana – como visto em Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. (saiba mais) –, uma que vez Attilan está no limite para sustentar todos os seus habitantes. Contudo, em uma dessas missões de reconhecimento, Triton (Mike Moh, de Street Fighter: Punho Assassino) é dado como morto no Havaí (EUA), tragédia que inicia uma crise entre os membros da Família Real.

Raio Negro veste seu uniforme clássico no final de temporada. (Foto: ABC/Karen Neal)

Enquanto o monarca encara a desaprovação da Rainha Medusa (Serinda Swan, de Graceland), do conselheiro Karnak (Ken Leung, de Lost), do chefe da Guarda Real, Gorgon (Eme Ikwuakor, de Extant), seu irmão, Maximus (Iwan Rheon, intérprete de Ramsay em Game of Thrones), aproveita para conspirar pelo trono de Atillan. Nesse golpe de estado de Maximus, Raio Negro, Medusa, sua irmã, Cristalys (Isabelle Cornish, de Puberty Blues), Karnak e Gorgon são obrigados a buscar refúgio na Terra, mas separados e sem seus principais poderes.

Deslocados, estes cinco seres superiores precisão descobrir que a raça humana pode não ser tão hostil quanto julgavam e aprender lições de humildade, trabalho em equipe e a solucionar problemas sem as suas habilidades inumanas. Entretanto, a chegada de alienígenas à Terra não passa despercebida pelas autoridades locais, chamando a atenção da cientista Louise Fisher (Ellen Woglom, de Californication), da Callisto Aerospace, e do Dr. Evan Declan (Henry Ian Cusick, de The 100), que estuda inumanos.

Usando discurso populista para autopromoção, Maximus tenta romper o sistema de classes. (Foto: ABC/Karen Neal)

Partindo de uma premissa curiosa – com extraterrestres descobrindo sua própria humanidade –, Marvel’s Inhumans falha na construção de sua narrativa – que não se conecta a nenhum outro título da Marvel –, tornando-se cada vez menos interessante com o passar dos episódios. Deste modo, o apresentar seus protagonistas longe do auge – Medusa perde seus cabelos no início da trama, assim como Karnak (que tem o dom de prever possibilidades) –, a série dificulta a identificação de seus personagens com as criações de Stan Lee e Jack Kirby.

Outro problema da atração é pobreza apresentada pelos diálogos e atuações pouco inspiradas, algo que torna os personagens superficiais e pouco cativantes. Sendo assim, o destaque fica por conta de Maximus, a figura melhor trabalhada pelos 8 capítulos da saga. Encarnado pelo ator Iwan Rheon, o antagonista tenta derrubar o sistema de castas (que beneficia só os mais poderosos da sociedade), ao qual ocupa o nível mais baixo, valendo-se de sua oratória. Já Raio Negro, apesar da língua de sinais elaborada por Anson Mount, se esquece dar um vislumbre de personalidade.

O cão teleportador Dentinho esbanja carisma em Marvel’s Inhumans. (Foto: ABC/Marvel)

De positivo, a 1ª temporada de Marvel’s Inhumans exibe efeitos visuais impecáveis, inclusive na presença do carismático Dentinho, o primeiro personagem da TV inteiramente feito por computação gráfica.

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado) em 2013 e fundador do Boletim Nerd. Realizou a cobertura da CCXP, Brasil Game Show e Campus Party e do lançamento de Logan, Mulher-Maravilha e Homem-Aranha: De Volta ao Lar.

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