The Flash: com final antecipado, 6ª temporada carece de foco e brilho

Muito aguardada após afirmar que trabalharia dois grandes antagonistas, a sexta temporada de The Flash teve seu encerramento antecipado pelo canal americano The CW, devido às limitações de produção impostas pela pandemia do novo coronavírus. Deste modo, o novo ano programa contou com apenas 19 episódios dos 22 planejados, uma redução compreensível que, na prática, só evidenciou o quanto a série foi falha na construção das tramas de sua recente leva de capítulos.

Sob o comando do showrunner Eric Wallace (Teen Wolf), o programa buscou inspiração no primeiro arco dos quadrinhos do Velocista Escarlate na linha Renascimento, dando destaque para a ascensão da organização criminosa Buraco Negro em Central City. Mas esta é a história que ganha importância na segunda metade da temporada. Logo de início, o título concentra suas atenções no surgimento do vilão Hemoglobina (Sendhil Ramamurthy, de Heroes), cujo poder é controlar o sangue e infectar pessoas.

The Flash encara Bloodwork

Hemoglobina consegue dominar Central City e causar problemas para Flash. (Foto: The CW)

Apesar do pouco potencial que “Bloodwork” (nome original) demonstra até nas HQs, ele consegue dar trabalho para Barry Allen (Grant Gustin, de 90210), Ralph Dibny (Hartley Sawyer, de Dias de Glória), Cisco Ramon (Carlos Valdes) e companhia, servindo como aquecimento para Crise nas Infinitas Terras. Aliás, é nesse mega crossover que encontramos o auge da ação e emoção do seriado, que, inclusive, presta uma bela homenagem para o veterano John Wesley Shipp, o Flash dos anos 1990.

Passado o apocalipse do multiverso, o enredo foca em investigações sobre o empresário Joseph Carver (Eric Nenninger, de Malcolm), a mente por trás da Buraco Negro e que quando não está blindado pela sua fortuna, está protegido pelo trio de assassinas Doutora Luz (Emmie Nagata, de Westworld), Ultravioleta (Alexa Barajas, de Charmed: Nova Geração) e Sunshine (Natalie Sharp, de Uma Razão para Vencer). Além disso, Carver esconde o mistério sobre o desaparecimento de sua esposa, Eva McCulloch (Efrat Dor, de Sneaky Pete).

Eva McCulloch e Iris West-Allen

Iris e Eva descobrem que viver no Mirrorverse tem suas consequências. (Foto: The CW)

Adaptada como versão feminina de Evan McCulloch, o Mestre dos Espelhos, Eva aparece no Mirrorverse (o “Universo Espelhado”), dimensão na qual Iris West-Allen (Candice Patton, de The Game) acaba presa enquanto vai descobrindo as intenções da verdadeira vilã da temporada. No entanto, o jogo de gato e rato entre Iris e Eva se desenvolve de forma arrastada e pouco surpreende o telespectador, mesmo quando uma réplica de Iris é enviada para substituí-la no mundo real (e físico) da Terra Prime.

Ainda sem concretizar a saída de Cisco, The Flash procura construir subtramas. A primeira é a inclusão de Allegra Garcia (Kayla Compton, de Chase Champion) para o grupo de heróis, como uma espécie de filha para o explorador Nash Wells (Tom Cavanagh, de Scrubs), em um drama sem propósito nem profundidade. Já o Homem-Elástico até diverte com sua busca pela golpista Sue Dearborn (Natalie Dreyfuss, de The Originals), seguindo missões que se alinham à saga principal desta temporada.

Ralph Dibny e Sue Dearborn

Ralph Dibny e Sue Dearborn mostram química e devem seguir para a próxima temporada. (Foto: The CW)

Já confirmada para a sétima temporada, The Flash teve em mãos boas chances para se renovar e fazer mudanças, mas parece ter desperdiçado tal oportunidade. Para o futuro, esperamos mais do que cópias de Goodspeed e, quem sabe, a efetivação de Chester P. Runk (Brandon McKnight, de A Forma da Água) como apoio tecnológico de Flash, uma vez que ele ajudou a mudar a dinâmica das coisas no episódio “Grodd Friended Me”.

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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