Kamen Rider: Sato Company confirma volta ao Brasil

A semana foi movimentada para os fãs de tokusatsu. Antes mesmo da editora JBC dar novos detalhes sobre o mangá brasileiro do Jaspion, uma live realizada no domingo (10/05), por Nelson Sato, CEO da Sato Company, encheu os fãs da franquia Kamen Rider de esperança.

Segundo ele, há o plano para trazer duas séries da franquia ao Brasil e a live seria uma consulta com fãs para saber quais eles gostariam de assistir. Lembrando que, com a pandemia do novo coronavírus e a suspensão dos torneios esportivos, a Rede Bandeirantes trouxe Jaspion, Jiraiya e Changeman de volta à TV aberta aos domingos. Todos eles, inclusive, já estão disponíveis no Prime Video com as respectivas dublagens originais.

Cena de Black Kamen Rider RX

Black Kamen Rider RX marcou a juventude de gerações.

Obviamente, os pedidos para Kamen Rider Black e a sua sequência, Kamen Rider Black RX, exibidos ao lado de outros tokus durante os anos 1990, tomaram conta da live. Entretanto, Sato deixou em aberto que esse retorno não precisa ser necessariamente um revival, então há a possibilidade de termos não só um, mas dois Kamen Riders totalmente inéditos passando aqui e completamente dublados em português.

O serviço de streaming da Amazon, aliás, tem em seu catálogo duas temporadas de Kamen Rider Amazons, que chegou como Amazon Riders.

A franquia Kamen Rider

Embora Black, RX e o americanizado Cavaleiro Dragão tenham sido os poucos que passaram no Brasil, a franquia vai bem além deles e se entrelaça com a própria história do Japão. Criado pelo mangaká Shotaro Ishimori em 1971, o herói é caracterizado por ter visual semelhante ao de um inseto e estar sempre a bordo de uma moto personalizada. E suas histórias se dividem com séries anuais distribuídas entre os três períodos do país nipônico: Showa, Heisei e Reiwa, que dizem respeito ao imperador vigente.

Os mais conhecidos aqui, são justamente os dois últimos da Era Showa, do Imperador Hirohito. Black foi ao ar por lá entre 1987 e 1988, enquanto Black RX de 1988 a 1989. Os Riders da Era Showa foram conhecidos por serem sinistros e geralmente heróis trágicos, com histórias de perdas e, muitas vezes, transformados contra a vontade nos personagens.

Kamen Rider Amazon

Kamen Rider Amazon foi uma dos mais violentos da franquia.

Aliás, Kamen Rider Amazon – do qual o seriado do Prime é releitura –, exibido entre 1974 e 1975, é considerado um dos tokus mais violentos da história, com direito a lutas sangrentas e desmembramentos. Essa tendência só iria cessar dez anos depois, com a volta da franquia para a TV. Assim como o visual dos Riders, que abriria o leque para outros temas e deixaria os insetos um pouco de lado.

Um novo Rider todo ano

 Kamen Rider Kuuga, exibido entre 2000 e 2001, trouxe o motoqueiro mascarado de volta à telinha e abriu a Era Heisei, já com o imperador Akihito no trono. Kuuga iniciou a tradição de renovar a franquia todos os anos com um personagem em um universo diferente.

Foi nesse período que passou Kamen Rider Ryuki (2002 a 2003), série que foi americanizada no estilo Power Rangers e ficou conhecida aqui como Kamen Rider – Cavaleiro Dragão. Algum tempo antes, o próprio Black RX já havia recebido uma versão estado-unidense para embarcar no sucesso dos Rangers, e chegou ao Brasil como “Masked Rider“.

Kamen Rider Ryuki

Kamen Rider Ryuki apresenta efeitos mais elaborados.

Já a Era Reiwa, a atual, se refere à ascensão do filho de Akihito, Naruhito, ao trono após a morte do pai, que aconteceu em maio de 2019. Assim, Kamen Rider Zero-One, que está em exibição desde o ano passado, é o primeiro dessa nova era e volta a trazer um gafanhoto como tema, algo que o s brasileiros se identificariam pela semelhança com RX.

Henshin!

Mesmo com personagens e temáticas diferentes, a palavra que os Riders usam para se transformar é sempre a mesma: henshin, que significa exatamente “transformação” em japonês. Então, para você se preparar para o anúncio de qual série da franquia a Sato Company trará ao país, o BN separou algumas da Era Heisei que valem a pena conhecer.

  • Kamen Rider Kuuga

O primeiro da Era Heisei tem o Egito antigo como tema. Durante uma escavação, uma múmia com um cinto é achada e o artefato removido. Só que o cinto era um selo que aprisionava os Grongi, uma raça de monstros que tentou conquistar a humanidade e foi detida pelo guerreiro Kuuga.

No presente, o motoboy Yusuke Godai (Joe Odagiri) usa o cinto durante o ataque dos Grongi após ter uma visão de um campeão vermelho. Agora cabe a ele derrotar os monstros. Isso se não sucumbir à maldição do cinto primeiro. Na série, com visual cativante, o clima sinistro alterna com momentos de leveza e Kuuga ainda apresenta várias formas. Indicada para quem gostava do RX.

  • Kamen Rider Agito

Sucessora de Kuuga, a série estreou em 2001 e trazia ambientação mais sinistra. O protagonista é Shouichi Tsugami (Toshiki Kashu) e nem mesmo ele sabe como ou o porquê de se transformar em Agito. Mas, ele sabe que precisa fazer isso para deter os misteriosos Unknown.

Bem dosada no suspense e até uma ou outra pitada de terror japonês, a série ainda traz outros Riders bem diferentes entre si, como o selvagem Gills e o G3, um traje criado pela polícia para combater os monstros, claramente inspirado pelo visual de Kuuga.

  • Kamen Rider 555 (pronuncia-se Faiz)

Exibida entre 2003 e 2004, Faiz é um Rider com enredo mais sério. Os inimigos são os Orphenochs uma raça tida como nosso próximo passo evolutivo, criada em laboratório. Um dos destaques é o visual dos Kamen Riders, que passa a ganhar ares mais tecnológicos, como foi com G3.

  • Kamen Rider Kabuto

De volta com a temática de insetos, a trama segue as missões da Zect, organização secreta criada para caçar Worms, monstros que caíram na Terra em um meteoro e podem assimilar a aparência dos humanos que matam. Seu principal recurso é o Zecter, um artefato que, junto a um cinto, transforma o usuário em um Kamen Rider. Mas, quem escolhe a pessoa é o objeto e, nesse caso, não é um agente da Zect, mas o cozinheiro arrogante Tendou Souji (Hiro Mizushima).

Kabuto é uma série que chama a atenção pelo visual caprichado dos Riders, que vestem armaduras de dois estágios. Com muitas reviravoltas no roteiro, traz, inclusive duelos entre os próprios personagens. Foi exibida entre 2006 e 2007.

  • Kamen Rider Kiva

Kiva foge da premissa comum dos personagens ao mostrar um personagem inspirado em um vampiro. Os inimigos são os Fangires, que drenam a essência dos humanos. O destaque são as formas do Kiva, inspiradas em monstros clássicos do cinema, como Frankenstein e o Lobisomem original, e para Kivat, o simpático morcego atrelado ao cinto do herói e que é o responsável por sua transformação. Foi transmitido entre 2008 e 2009.

  • Kamen Rider Decade

“Um Kamen Rider que está só de passagem”. A frase em que o alter-ego do fotógrafo Tsukasa Kadoya (Masahiro Inoue) se define resume bem a obra. Na décima série veiculada na Era Heisei, este Kamen Rider viaja entre universos batalhando com – e às vezes até contra – outros personagens da franquia para impedir um colapso no “multiverso”. No melhor estilo Crise nas Infinitas Terras da DC.

Em dois episódios, aliás, ele encontra o Black e o RX, que aqui aparecem como heróis distintos de universos separados. Mas, feitos ambos pelo mesmo ator, Tetsuo Kurata, que dava vida aos personagens da década de 1980.

  • Kamen Rider Fourze

Mais leve no tom, Fourze é uma homenagem ao cinquentenário das viagens espaciais e, embora tenha um visual bem estranho, a história é bem divertida e o protagonista Gentaro Kisaragi (Sota Fukushi) realmente rouba a cena com sua meta de se tornar amigo de todo no colégio em que estuda.

Com temática adolescente, Kamen Rider Fourze traz mensagens poderosas contra o bullying, uma vez que os Zodiarts distribuem dispositivos para que os jovens se transformem em monstros e possam se vingar de seus algozes.

Agora, resta saber quais delas a Sato Company irá trazer, mas as expectativas são enormes. Aqui no BN, nosso palpite é que teremos o retorno de uma das antigas e uma inédita. Aguardemos o anúncio, que deve sair em breve.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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