Depois de apresentar um novo Superman aos cinemas, a DC Studios amplia seu universo com Supergirl, um filme que encontra sua própria identidade ao combinar aventura espacial, humor e emoção. Inspirado na aclamada HQ Supergirl: A Mulher do Amanhã, o longa não faz uma adaptação literal da obra de Tom King e Bilquis Evely, preferindo trilhar um caminho próprio para apresentar Kara Zor-El ao público.
O resultado é um filme carismático, povoado por personagens marcantes e que adiciona novas camadas ao recém-iniciado Universo DC. Ainda que algumas mudanças em relação aos quadrinhos possam dividir opiniões, a produção dirigida por Craig Gillespie entrega uma jornada divertida que deixa boas perspectivas para o futuro da franquia.
Uma aventura espacial com DNA de James Gunn
É impossível assistir a Supergirl sem perceber a influência criativa de James Gunn.
Embora Craig Gillespie imprima personalidade suficiente para que o filme tenha identidade própria, a aventura abraça um espírito muito semelhante ao de Guardiões da Galáxia. Os planetas excêntricos, os bares intergalácticos, os criminosos espalhados pela galáxia e o humor irreverente fazem parte da experiência.
A própria Kara acaba ocupando um papel semelhante ao de Peter Quill. Ela é impulsiva, debochada, caótica e frequentemente resolve problemas antes com o instinto do que com planejamento. Essa abordagem funciona justamente porque Milly Alcock interpreta a heroína com bastante carisma, tornando fácil acompanhar sua evolução ao longo da história.
Craig Gillespie encontra equilíbrio entre irreverência e emoção
Quem conhece filmes como Eu, Tonya e Cruella reconhece alguns traços característicos da direção de Craig Gillespie.
A rebeldia de seus protagonistas, o humor ácido e a disposição para quebrar expectativas aparecem aqui em diversos momentos. Ainda assim, o diretor adota uma abordagem mais contida do que em seus trabalhos anteriores, deixando que a aventura e os personagens conduzam a narrativa.
O resultado é um blockbuster bastante acessível, que nunca perde de vista o entretenimento, mas também encontra espaço para trabalhar os traumas e a solidão de Kara sem transformar a experiência em algo excessivamente pesado.
Lobo rouba a cena
Entre todas as novidades do filme, nenhuma funciona tão bem quanto Lobo.
Jason Momoa parece ter encontrado um personagem feito sob medida para seu estilo. Beberrão, convencido, violento e dono de um senso de humor peculiar, o mercenário rouba praticamente todas as cenas em que aparece.
Sua presença injeta ainda mais diversão à narrativa e amplia a sensação de que o Universo DC possui espaço para figuras completamente diferentes umas das outras.
Mesmo com tempo limitado em tela, Lobo rapidamente se estabelece como um dos personagens mais carismáticos dessa nova fase da franquia.
Os Bandoleiros ganham uma atualização interessante
Uma das mudanças mais inteligentes em relação aos quadrinhos está na forma como o filme retrata os Bandoleiros.
Na graphic novel, eles funcionam principalmente como um grupo de piratas espaciais. Aqui, o roteiro amplia sua participação ao transformá-los em uma organização marcada por comportamentos abusivos, machismo e violência contra mulheres.
Essa atualização torna o grupo mais ameaçador e fortalece a motivação de diversos personagens, dando mais peso dramático à jornada de vingança que move a história.
A distância dos quadrinhos pode dividir opiniões
Ao mesmo tempo, justamente por se afastar em alguns momentos da HQ original, Supergirl corre o risco de frustrar parte dos leitores.
Supergirl: A Mulher do Amanhã é considerada uma das melhores graphic novels publicadas pela DC nos últimos anos, principalmente pela sensibilidade com que desenvolve sua protagonista.
O filme preserva boa parte da essência da obra, mas altera acontecimentos, tom e desenvolvimento de alguns personagens para atender melhor ao ritmo cinematográfico. As mudanças não comprometem a qualidade da produção, porém podem incomodar quem esperava uma adaptação mais fiel.
Superman reforça o futuro do DCU
Embora apareça pouco, Superman também deixa sua marca.
As poucas cenas de David Corenswet bastam para confirmar que esta versão do Homem de Aço já conquistou o público após seu filme solo. Sua participação funciona como um lembrete de que este universo é compartilhado e reforça os laços entre Clark e Kara sem tirar o protagonismo da heroína.
É uma participação breve, mas eficiente.
Vale a pena?
Supergirl demonstra que a DC Studios continua construindo seu novo universo sobre bases sólidas.
Com personagens carismáticos, uma protagonista cheia de personalidade, boas sequências de ação e uma atmosfera espacial divertida, o longa entrega uma aventura que amplia o escopo do DCU sem perder o foco em sua heroína.
Mesmo que a liberdade criativa em relação aos quadrinhos gere discussões entre os fãs, o saldo é bastante positivo. Craig Gillespie encontra espaço para imprimir parte de sua personalidade, James Gunn deixa evidente sua influência no tom da produção e Jason Momoa estreia como um Lobo que tem potencial para se tornar um dos grandes destaques da franquia.

