Pânico: quinto filme é comédia acidamente aterrorizante

Pânico: quinto filme é comédia acidamente aterrorizante

Falecido em 2015, o cineasta Wes Craven deixou um vasto legado no gênero de terror. Em especial, a franquia “Pânico”, que até então possuía 4 longas e 1 série de TV. E é claro que o sucesso de Ghostface não pararia por aí. Mas como reativar a saga sem provocar a ira dos fãs mais conservadores? A resposta: com o mesmo deboche que consagrou as obras anteriores. Inteligente nas piadas e construção de tramas, o quinto “Pânico” estreia hoje (13) nos cinemas.

A nova produção dirigida por Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, dupla responsável por Casamento Sangrento (2019) e O Herdeiro do Diabo (2014), chega 11 anos depois do lançamento de Pânico 4 e trata todos os acontecimentos fatídicos da cidade de Woodsboro como inspiração para uma sequência de filmes de horror. Nos dias atuais, uma geração de jovens cresceu à sombra da trágica jornada de Sidney Prescott, Gale Weathers e Dewey Riley.

Como em qualquer filme sobre assassinos seriais, alguém assume a máscara de Ghostface e começa a imitar seus passos. O primeiro ataque tem como alvo Tara (Jenna Ortega, de Você), a irmã caçula de Sam Carpenter (Melissa Barrera, de Em um Bairro de Nova York) – que é filha de Billy Loomis (Skeet Ulrich), um dos matadores do primeiro título da saga. Para cuidar de Tara, Sam retorna para Woodsboro com seu namorado, Richie (Jack Quaid, de The Boys).

Brincando com clichês

Nesse jogo de cartas marcadas, ao entorno de Sam e Tara há um grupo de amigos, composto por Wes (Dylan Minnette, de 13 Reasons Why), Amber (Mikey Madison, de Better Things), Mindy (Jasmin Savoy Brown, de The Leftovers), Chad (Mason Gooding, de Com Amor, Victor) e Liv (Sonia Ammar, de Jappeloup), no qual logo é apontado que abriga o novo Ghostface. A maioria dos adolescentes é ligada de alguma forma aos protagonistas do primeiro longa.

No clima de “quem matou?”, Pânico vai apresentando cada um de seus personagens enquanto deixa dúvidas sobre suas motivações para assumir o posto de vilão. Tudo isso acontece diante de brincadeiras sobre os arquétipos de histórias de terror, o que toma grande parte da 1h54 de duração filme e não há do que reclamar. Aliás, a tática de fazer o público rir bastante se mostra um bom artifício para surpreender com momentos de tensão e sustos calculados.

Cuidado com os fãs

As piadas que fogem à ficção, questionando a indústria cinematográfica e a toxicidade dos fãs, evidenciam a sagacidade dos roteiristas e quebram o gelo para os clichês e artimanhas envolvidas na própria produção desse quinto título. Mas, embora a tática de não se levar a sério funcione, ela vai até certo ponto. Porque as coisas ficam sérias. Afinal, Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette retomam seus papéis clássicos em participações cheias de importância.

No fim das contas, pela narrativa construída de maneira fluida e consistente, referências feitas com maestria e a capacidade de rir de si mesmo, Pânico surpreende pelo alta qualidade e conquista por provocar os haters de plantão. Por mais estranho que pareça: assista sem medo!

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