Krypton: duelo colossal de Lobo, Brainiac e Doomsday não salva 2ª temporada

Um é pouco, dois é bom, três é demais. Com três vilões simultâneos e cancelamento imediato, a segunda temporada da série Krypton provou que o dito popular tem seu fundo de verdade. Após o sucesso da estreia, a atração exibida pelo canal norte-americano SYFY retornou em junho apostando num combate épico tanto para o planeta Natal do Superman quanto para seu futuro como Homem de Aço. Entretanto, com somente 10 episódios de trama arrastada, o programa do showrunner Cameron Welsh (Ash vs Evil Dead) não soube usar os múltiplos trunfos em mão.

A narrativa se passa 6 meses depois de Dru-Zod (Colin Salmon, de Arrow) conquistar Krypton, moldando-a à sua própria imagem e abrindo temporada de caça aos insurgentes liderados por Val-El (Ian McElhinney, de Game of Thrones), o avô de Seg-El (Cameron Cuffe, de Florence: Quem é Essa Mulher?). Nosso protagonista, por sua vez, até consegue escapar da Zona Fantasma, mas termina preso no planeta Colu, lar de Brainiac (Blake Ritson, de Da Vinci’s Demons), junto ao antagonista e seu caçador: Lobo (Emmett J Scanlanm, de Treadstone), o último czarniano.

Lobo tem uma divertida adaptação em sua primeira versão em live-action. (Foto: SYFY)

Quando a poeira baixa e Seg-El finalmente junta-se ao núcleo rebelde de Krypton, duas histórias se destacam: a luta do herói para escapar da influência de Brainiac (com quem divide o comando de suas ações) e sua tentativa de trazer Lyta-Zod (Georgina Campbell, de Broadchurch) para o lado dos indignos. Comandante dos soldados Sagitari, a futura mãe do General Zod exerce função importante aos dois lados do conflito, assim como Nyssa-Vex (Wallis Day, de Jekyll & Hyde), que amadurece para proteger seu filho, Cor-Vex (posteriormente chamado de “Jor-El”).

Enquanto o tirano tenta manter o regime totalitário e investir contra a galáxia, vemos uma força mais selvagem surgir, isto é, a ira de Doomsday (Staz Nair, de Supergirl) – ou “Apocalypse”, no Brasil –, ponto de destaque da 2ª temporada  que rende um episódio inteiro (e muito elogiável) sobre sua história de origem. Outros personagens que crescem são Adam Strange (Shaun Sipos, de Dark Matter), que se torna útil e altruísta, e os desertores Jayna-Zod (Ann Ogbomo, de Mulher-Maravilha) e Dev-Em (Aaron Pierre, de Britannia), agora como casal.

De visual assustador, Doomsday protagoniza cenas de terror e violência extrema. (Foto: SYFY)

De maquiagens, figurinos e efeitos visuais impecáveis, Krypton comete erros no desenvolvimento da trama principal, que se torna instável, repetitiva e, por vezes, monótona. Seu cancelamento veio com pesar, pois o seriado pôde contar com bons recursos da mitologia da DC Comics e precisou abortar o spin-off estrelado por Lobo (grata surpresa, mesmo em curta participação).

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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