Espiões do Asfalto: 2ª temporada se perde entre as favelas do Rio

Investindo pesado para manter a franquia viva, a Universal, em parceria com a Dreamworks, trouxe a 2ª temporada da animação Velozes e Furiosos: Espiões do Asfalto para a Netflix e todos os oito episódios estão disponíveis desde o dia 9 de outubro. E a trama do segundo ano mostra que quer mesmo seguir os passos dos longas, ao se passar totalmente no Rio de Janeiro.

O time composto por Tony Toretto (Tyler Posey, de Teen Wolf), Echo (Charlet Takahashi do remake Carmen Sandiego), Cisco Renaldo (Jorge Diaz, de Os 33) e Frosti (Luke Youngblood, de Community) continua trabalhando para o governo, o que significa que ainda têm a surtada Ms. Nowhere (Renée Elise Goldsberry, de Altered Carbon) como chefe.

Agora a aventura é no Brasil! (Foto: Dreamworks)

O que muda é que eles estão mais experientes como espiões e se sentem prontos para a primeira missão internacional. E esta é resgatar Layla Gray (Camille Ramsey, de Vândalo Americano), que agora trabalha para os mocinhos. A garota está, claro, agindo disfarçada em uma organização criminosa que está desenvolvendo uma nova arma capaz de dominar o mundo.

Assim, a equipe vem ao Brasil e acaba se envolvendo com malfeitores locais, descobrindo mais sobre a misteriosa arma e se surpreendendo ao ver que a chefe do bando é justamente Layla. Teria ela passado novamente para o lado do mal ou tudo faz parte do disfarce?

Clichês fora de época

O Rio e o Brasil como um todo aparecem um tanto descaracterizados em Espiões do Asfalto. Como se fosse um seriado dos anos 1980, temos pessoas jogando capoeira para todo lado, um menino vestindo a camisa da Seleção e os gringos que chegam chamando a atenção com seus possantes carros exóticos.

Isso sem contar com o caminhão enorme – e estiloso – que serve de base móvel para a equipe e acaba atolado em uma floresta a caminho da Cidade Maravilhosa. E ainda há um macaquinho que vira bichinho de estimação de Cisco. Clichês batidos de uma visão estadunidense do nosso país que já não cabem mais em tempos nos quais a internet garante todo tipo de informação sobre um lugar.

O contexto de famílias para traduzir as facções que comandam os morro e as favelas em algo mais próximo dos norte-americanos, como a máfia, também não cola. Já que a ideia era trazer isso na história, mesmo sendo uma série infanto-juvenil, poderia ter sido feito algo mais próximo do mundo real, mudando nomes, claro.

Roteiro atropelado

Tirando os primeiros, os filmes da franquia nunca se destacaram pela genialidade do roteiro. Mas, sempre foram uma diversão interessante e despretensiosa. Sem falar nos supercarros presentes para a alegria dos aficionados. Esse espírito e suas corridas no estilo vale tudo por lugares exóticos é o que sustenta a saga e fez da 1ª temporada um acerto.

Infelizmente, isso não se repete nessa temporada. Para ir direto à ação, a trama deixa batido pontos importantes, como o recrutamento de Layla pela Ms. Nowhere. Já a “Corrida das 5 Famílias”, onde a ação final se desenrola, parece ter sido pensada às pressas no roteiro e não combina com o restante da história, o que cria plot twists previsíveis. A irritante vilã que se revela nos episódios finais também não ajuda.

Contudo, a segunda temporada continua acertando no visual, com uma animação bonita e fluida, e no fato de Toretto não estar sempre no centro de tudo, dando espaço para Frosti, Cisco e, principalmente, Echo, brilharem. Assim, Espiões do Asfalto tem potencial para entregar um bom terceiro ano.

Mas, desde que volte a deixar claro que as corridas e perseguições em alta velocidade não são elementos secundários em uma história de Velozes e Furiosos. E as tramas precisam tê-las como ponto central e não só como um epílogo mal estruturado.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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