Dark: 3ª temporada encerra série como uma história sobre amor

Depois de uma temporada focada no drama policial e outra que abraçou de vez a ficção científica, Dark retornou para sua terceira e última temporada em 27 de junho se segurando em um gancho que prometia tornar ainda mais complexa a já confusa série da Netflix: universos paralelos. Além, claro, de viagens no tempo e um apocalipse iminente, conceitos já presentes desde o início da produção alemã.

Iniciando exatamente de onde parou o segundo, o terceiro ano da série é focado em Jonas Kahnwald (Louis Hoffman, de Operação Red Sparrow) e Martha Nielsen (Lisa Vicari, de Luna: Em Busca Da Verdade). Contudo, a missão do rapaz passa de evitar o armagedon para salvar a vida da amada, assassinada pelo maléfico Adam (Dietrich Hollinderbäumer, de A Queda! As Últimas Horas de Hitler), sua versão futura.

Jonas e Martha precisam lutar para não repetirem os erros de suas versões futuras. (Foto: Netflix)

Para isso, adentra em um mundo espelhado, com contrapartes de praticamente todos os habitantes da pequena cidade de Winden. Exceto ele mesmo, que não existe lá. No decorrer dos episódios percebemos que há sutis diferenças, mas que o outro mundo nada mais é do que um reflexo distorcido do mostrado anteriormente, no qual o colapso da usina nuclear também está em vias de acontecer, mas que traz Martha com a missão de impedir tudo.

Como um bom espelho, há também um personagem idoso, que parece dominar os meandros da viagem temporal pela caverna e manipula todos a seu redor para realizar seus planos. Mas, ao contrário de Adam, temos Eva (Barbara Nüsse, de Die Pfefferkörner), que é justamente a Martha Nielsen de décadas no futuro. Mas será ela a equivalente a Adam em tudo ou melhor? Um sabe da existência do outro? Algum deles está interessado em salvar o mundo? E qual mundo?

Enquanto esse jogo de poder e controle manipula o casal de adolescentes, Dark prende o espectador com o que faz de melhor: introduzir e relembrar as muitas versões de seus personagens para te confundir tanto quanto os protagonistas.

Pessoas reais em contexto irreal

Em seu terceiro ano, Dark traz muitos acertos. Ao focar a trama entre Jonas e Martha, a temporada coloca personagens sem carisma, como o policial Ulrich Nielsen (Oliver Masucci, de Ele Está de Volta) e Hanna (Maja Schöne, de Tatort), em seus lugares e com desfechos relativamente justos, embora um pouco cruéis.

A última temporada do programa ainda redime vilões para o público, como Noah (Mark Waschke, de Uma Vida Oculta), Claudia (Julika Jenkins, de Operação Berlim) e Bartsoz (Paul Lux, de Raus). Com arcos explorados mais profundamente, eles se revelam as melhores surpresas da série, bem como outros tidos até então como secundários – inclusive aquele no qual se concentram todas as chances de salvação da Terra.

O sujeito sem nome é um dos responsáveis por sacramentar o apocalipse. (Foto: Netflix)

A série também se revela uma história sobre o amor acima de tudo. É a parceria de Martha e Jonas que pode mudar um desfecho aparentemente inescapável, enquanto Magnus Nielsen (Moritz Jahn, de Offline – Sem Bônus nessa Vida) e Franziska Doppler (Gina Stiebitz, de Ventre) se consolidam como um dos casais mais bonitos do título. Já outros pagam um alto preço pelo seu egoísmo e atitudes desprezíveis que tomaram em nome desse mesmo sentimento.

Dark termina, portanto, como uma série que merece palmas por inovar no gênero de viagens no tempo, ainda que se torne relativamente previsível nos dois últimos capítulos. Mas, principalmente, por utilizar o tema para discorrer sobre escolhas e consequências, com personagens densos e construídos de maneira complexa o suficiente para confundir e intrigar os espectadores. Uma série sobre pessoas reais vivendo situações irreais.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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