Dark: 1ª temporada foca viagem no tempo, mas fisga pelos personagens

Em dezembro de 2017, a Netflix trouxe ao catálogo a enigmática série alemã Dark – cuja terceira e última temporada estreia em junho. Logo nos primeiros minutos, há o suicídio de Michael Kahnwald (Sebastian Rudolph, de Stalingrado – A Batalha Final). A cena é um aviso: Dark não é fácil de se assistir. Ainda que não apele para a violência explícita, há uma sequência de elementos inseridos para gerar desconforto à medida que instiga o espectador a ver mais.

Passado o impacto da morte de Kahnwald, seguimos o drama de sua esposa, Hanna (Maja Schöne, de Tatort), e filho, Jonas (Louis Hoffman, de Operação Red Sparrow), que precisam seguir suas vidas. Enquanto o garoto volta ao colégio deslocado por encontrar Martha Nielsen (Lisa Vicari, de Luna: Em Busca Da Verdade), a menina por quem é apaixonado, nos braços do amigo Bartsoz Tedemann (Paul Lux, de Raus). Hanna encontra conforto no policial Ulrich Nielsen (Oliver Masucci, de Ele Está de Volta).

A primeira temporada de Dark é composta por 10 episódios. (Foto: Julia Terjung/Netflix)

O primeiro por que Dark é complexa é a quantidade de personagens. Na pequena cidade de Winden, onde há uma usina nuclear prestes a ser desativada, todos se conhecem. E seus destinos estão ligados diretamente a outros personagens. Assim como o passado. Mas isso só vem à tona quando Mikkel (Daan Lennard Liebrenz, de Triple Ex), o filho caçula de Ulrich e Katharina (Jördis Triebel, de Westen), desaparece na floresta, criando o mistério que norteia a temporada.

Para aumentar mais a histeria, Winden já lida com o desaparecimento de Erik Obendorf (Paul Radom) que, assim como Mikkel, havia sido visto pela última vez no bosque próximo à entrada de uma estranha caverna.

Mistério e conflitos

Embora comece com um texto falando de viagem no tempo, o assunto só começa a fazer sentido quando Mikkel some. No entanto, o paradeiro do garoto passa a ser algo cada vez mais preocupante, já que vez ou outra é mostrada uma figura sinistra amarrando garotos a uma cadeira, que parece um instrumento de tortura, por cobrir os olhos com placas metálicas.

Carregada de suspense e incursões temporais traduzidas num misto de experimento macabro e fenômeno paranormal, Dark chama a atenção mesmo pela relação entre os personagens. A fórmula da cidade pequena onde todo mundo se conhece, mas não imagina os segredos que o outro guarda, funciona e adquire outros ares na ambientação bucólica da Alemanha e de seus habitantes, que parecem acostumados ao sofrimento.

A possibilidade de mergulhar no drama e visitar o passado dos personagens para saber o que os levou a ser quem são, é, sem dúvidas, o melhor da série. Mas não a ponto de ofuscar os mistérios dos casos de abdução de adolescentes e o desconforto causado pelo quarto com a cadeira elétrica.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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