Luke Cage: 2ª temporada melhora com debate sobre lei e poder

Qual seria a fraqueza de um homem à prova de balas? O que pode haver sob sua pele impermeável? Sim, Luke Cage, o Herói de Aluguel, está à frente de seu tempo desde sua estreia nos quadrinhos em 1972, retorna para a Netflix com sua segunda temporada, trazendo à tona um debate pesado sobre a extensão do poder na sociedade e os limites da lei. Com uma pegada setentista, a série aposta num enredo mais denso e bem construído para testar as capacidades do defensor diante de novos personagens, dinâmicas inéditas e um adversário a sua altura.

Luke Cage descobre que às vezes é preciso sujar as mãos para proteger inocentes. (Foto: Netflix)

Composta por 13 episódios – cujos títulos prestam homenagem a Pete Rock & C.L. Smooth –, a 2ª temporada de Marvel – Luke Cage se estabelece logo após os eventos de Os Defensores, período em que uma nova droga e uma disputa de poder afetam o bairro nova-iorquino do Harlem. Desta vez, o violento gângster jamaicano Bushmaster (Mustafa Shakir, de Quarry) inicia uma guerra contra Mariah Dillard (Alfre Woodard, de Desperate Housewives), política e mafiosa que, na companhia de Shades (Theo Rossi, de Sons of Anarchy), tenta manter seu reinado.

Bushmaster traz a ginga da Jamaica e um ódio mortal pela família Stokes. (Foto: Netflix)

Entre as novidades estão as presenças de duas figuras-chave: Tilda Johnson (Gabrielle Dennis, de Rosewood), a filha que Mariah Dillard deixou para adoção e médica holística, e James Lucas (Reg E. Cathey, de Outcast), pai de Luke Cage, que reaparece à procura de reconciliação e novo padre local. Com o afastamento de Claire Temple (Rosario Dawson, de Jane the Virgin) – enfermeira e namorada de Cage –, o seriado original promove a reunião da imbatível dupla Luke Cage e Punho de Ferro (Finn Jones, de Game of Thrones) – inseparáveis nos quadrinhos.

Sem escrúpulos, “Black Mariah” mostra que não há limites para sua vilania. (Foto: Netflix)

Em ascensão, Misty Knight (Simone Missick, de Wayward Pines) explora os limites da lei assim como suas novas limitações físicas, à medida que inicia sua jornada como vigilante com Colleen Wing (Jessica Henwick, de Star Wars: O Despertar da Força) – dueto de guerreiras que, nos gibis, é chamado de “Filhas do Dragão”. Trazendo o ritmo e a mística da cultura imigrante, o vilão John ‘Bushmaster’ McIver demonstra um vigor equivalente ao de Luke Cage, no entanto, segue seus próprios métodos de fazer justiça, em um confronto de músculos e ideais.

Misty Knight ganha um braço biônico das Indústrias Rand. (Foto: Netflix)

Diferente da 1ª temporada (confira o review neste link), o ano dois de Marvel’s Luke Cage deixa de se concentrar na identidade de seu protagonista para desembaralhar as origens dos problemas enfrentados pela sua comunidade, tratando questões como o ciclo de violência, injustiça e disputa de poder que se perpetua na periferia. Mais profundo, o título aborda os conflitos que envenenam a mente e o coração de Luke Cage, que lida com a raiva, o ressentimento e aquela sensação de impotência de quem cansou de “enxugar gelo” – mesmo sendo o cara mais forte do pedaço.

Luke Cage e o Imortal Punho de Ferro! Alguém segura essa dupla? (Foto: Netflix)

Na batida do rap, hip-hop, jazz e blues que embalam a boate Harlem’s Paradise, Luke Cage mostra quem é Poderoso da Marvel com uma série divertida, com ar policial retrô e que trabalha com assuntos mais pautados à realidade.

Comentários
Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. É colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Comentários estão fechados.