The Witcher: com Henry Cavill, 1ª temporada é super adaptação da Netflix

A Netflix estava carente de um carro-chefe para seu bom catálogo e, com The Witcher, podemos dizer que o serviço de streaming conseguiu novamente as atenções dos assinantes – cada vez mais divididos entre várias plataformas de conteúdo. Adaptação da obra do escritor polonês Andrzej Sapkowski – publicada aqui pela Editora Martins Fontes –, a série se aprofunda na mitologia do Leste Europeu, criando um reino fictício no qual Geralt de Rívia (Henry Cavill, de O Homem de Aço) se aventura para combater monstros e outros vilões.

Construída em somente 8 episódios de aproximadamente 50min de duração, a atração produzida por Lauren Schmidt (Demolidor e The Umbrella Academy) nos envolve nas histórias do Continente, um território inspirado na Europa de alguns séculos atrás. Neste lugar fantástico, houve a chamada Conjunção de Esferas, cataclismo responsável por trazer criaturas sombrias até o mundo dos homens – que logo entraram em conflito com tais seres e aprenderam a manipular a magia a seu favor. É neste cenário que se encontra nosso bruxo protagonista.

Geralt de Rívia é conhecido como “O Carniceiro de Blaviken”. (Foto: Netflix)

De uma estirpe bastante malvista pela sociedade, Geralt de Rívia circula entre os reinos exercendo sua profissão, que é matar monstros por um certo valor – isto é, os “contratos”. Carrancudo, taciturno e solitário, o brutamontes de cabelos brancos exibe extraordinários habilidades de combate físico, manejo de espada, domínio de feitiços e conhecimentos sobre o preparo de poções, que o ajudam em sua cruzada acompanhado da égua Roach. Embora pareça sem destino, o herói se vê envolvido em trama que definirá o futuro de todo o Continente.

As peças desta 1ª temporada de The Witcher começam a se encaixar quando as personagens Yennefer (Anya Chalotra, de Wanderlust) e Ciri (Freya Allan, de Into the Badlands) são introduzidas, mesmo que em eventos que se desenrolam em períodos diferentes daquele de Geralt. Assim, o programa funciona com Ciri, no presente, tentando sobreviver à queda de Cintra por Nilfgaard, enquanto Geralt de Rívia está há cerca de duas décadas e Yennefer de Vengerberg sofre para se tornar uma poderosa maga 50 anos atrás.

Yennefer tem uma das jornadas mais sofridas (e desenvolvidas) da série. (Foto: Netflix)

Fazendo adaptação dos livros O Último Desejo e A Espada do Destino, a narrativa apresenta o “monstro da semana” – de modo que vemos uma estrige, dragão dourado, quiquimora e um sylvan, por exemplo –, como dá destaque para a invasão nilfgaardiana e investe na “A Maldição do Sol Negro” – na qual Ciri é o principal elemento. À medida que um arco de proporções imensas se constrói, o público acompanha o início das conturbadas relações entre Geralt de Rívia, Yennefer e Ciri – como visto no game The Witcher 3: Wild Hunt.

Aliás, se a sua porta de entrada para este universo de magos e monstros foram realmente os jogos eletrônicos, o seriado usa conceitos muitos conhecidos dos gamers, como as decisões morais que o bruxo deve fazer a cada capítulo e o peso de descobrir que às vezes as maiores monstruosidades não vêm das trevas, mas, sim, da própria humanidade. No entanto, para quem já zerou a saga do bruxo Geralt de Rívia, a versão da Netflix surge como um belo convite para a coletânea de sete livros que nos contam em detalhes tudo que acontece no Continente.

Repleta de ação intensa, efeitos visuais de alto nível e personagens cativantes, The Witcher tem futuro garantido para uma segunda temporada (e sete delas, no total, já planejadas) e ficará muito tempo na memória, especialmente quando você escutar a música Toss A Coin To Your Witcher, interpretada pelo bardo Jaskier (Joey Batey, de Knightfall).

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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