The Witcher: A Maldição dos Corvos é HQ para quem zerou o game

Carlos Bazela

Os jogos da série The Witcher são famosos pela atmosfera imersiva. Somando isso ao carisma do protagonista Geralt de Rívia, concluir todas as tarefas do jogo dá uma certa sensação de vazio. Principalmente em seu último título, The Witcher 3 – Wild Hunt e suas duas expansões enormes, que melhoram ainda mais a experiência.

Então, se você também pertence ao clube dos que ficaram órfãos após se despedir de Geralt, Ciri e Yennefer no universo do videogame e ainda não se acostumaram a suas encarnações na série live-action estreada por Henry Cavill e Anya Chalotra (leia nossa crítica), A Maldição dos Corvos é uma leitura sob medida.

Escrito por Paul Tobin, Borys Pugacz-Muraszkiewicz e Karolina Stachyra, com arte de Piotr Kowalski, esse gibi foi publicado aqui pela Editora Pixel em 2018 e traz um belo tratamento em capa dura com 128 páginas. A HQ é o terceiro volume dos quadrinhos do bruxo que saíram no Brasil, mas pode ser lida de forma independente das outras histórias, que receberam os títulos de A Casa de Vidro e Os Filhos da Raposa.

Um novo contrato

A história segue Geralt e Ciri, com a garota adulta, como em Wild Hunt, e estabelecida como witcher. Ambos estão viajando para Novigrad, onde devem encontrar a sacerdotisa Maerlina, dona de uma casa de banhos na cidade para pegar um contrato que envolve eliminar uma estriga, criatura amaldiçoada de força sobre-humana, bem como garras afiadas e uma sede de sangue insaciável.

Contudo, a medida que vão descobrindo mais sobre o monstro e se envolvem com Elid, o filho da hospitaleira sacerdotisa, que é capaz de se transformar em um corvo, o mistério da origem da estriga aumenta. Até mesmo para os padrões do Bruxo de Rívia.

As coisas se complicam ainda mais quando a feiticeira Yennefer, grande amor de Geralt, surge para encontrar com os dois. E ela não está muito feliz com a ideia de Ciri seguir os passos do pai como uma witcher e arriscar sua vida caçando monstros por dinheiro e se envolvendo em ocasionais brigas em tavernas.

Atmosfera do game

O grande acerto de A Maldição dos Corvos é trazer exatamente a atmosfera do último jogo da série. Tudo está presente na história criada por Tobin e é retratado pela ótima arte de Kowalski. Do design dos personagens à caracterização dos monstros, passando pelas sequências de batalhas. Os muitos momentos sensuais do game são outro ponto resgatado em grande quantidade no gibi.

Locais e personagens conhecidos, como o bordel Passiflora, também são citados. Assim como o bardo Dandelion e o Rei Foltest. Aliás, o mais feroz encontro de Geralt com uma estriga, narrado por ele para Ciri, é exatamente com o monstro ligado ao Rei, assunto que é tema de alguns episódios da série da Netflix. Com isso, o quadrinho acaba funcionando também como um bom link entre as duas mídias.

No mais, a dinâmica de provocações entre Geralt e Yen, que os jogadores passam a achar graça a medida que progridem no jogo, é outro elemento que a HQ explora. E isso colabora para fazer de A Maldição dos Corvos uma leitura rápida, divertida e que mais parece um DLC ou uma das missões do mundo aberto, que expande a narrativa do game criado pelo estúdio polonês CD Projekt Red.

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