Super Crooks: O Assalto erra com história maior que gibi

Carlos Bazela
Super Crooks: O Assalto erra com história maior que gibi

Não é raro se deparar com uma HQ tão rica em detalhes e profundidade na história que a primeira coisa que se diz ao terminar é: “poderia ter mais”. Já outras, vão bem como arcos fechados. É o caso de Super Crooks: O Assalto (leia nossa resenha). O quadrinho de Mark Millar e Letinil Yu é bom exatamente por não fazer firulas. Personagens e motivações são desenvolvidos na medida certa e a estrutura da narrativa é redonda o suficiente para caber muito bem em um volume.

Quando a Netflix anunciou que o gibi seria adaptado em anime, a curiosidade bateu. Principalmente ao saber que seria uma série e que faria parte de um universo compartilhado com outra produção de Millar: O Legado de Júpiter, seriado cancelado logo depois do lançamento de sua 1ª temporada.

Na história do anime, acompanhamos Johnny Bolt desde sua adolescência, quando descobre seus poderes elétricos. Sonhando em ser um super-herói, o garoto comete um erro terrível ao eletrocutar involuntariamente diversas pessoas em uma piscina e acaba deixando sua cidade para trás, dando os primeiros passos no mundo do crime.

Entre uma pena e outra no presídio Supermax, Johnny e seu bando, que inclui sua namorada Kasey, seguem de assaltos menores até receberem a tutela de Carmine, O Calor, um super vilão veterano que não só sabe o caminho para os grandes golpes, mas como ficar fora do radar dos heróis da União da Justiça, como Utópico, Lady Liberdade, o violento Gladiador e o desonesto Pretoriano.

Bando sem carisma

Com início promissor, ao mostrar o passado de Johnny, Super Crooks tem seus méritos, como a animação de qualidade e as boas sequências de ação. Principalmente nos desmembramentos caricatos, que põem à prova o “fator de cura” dos Irmãos Diesel. Mesmo assim, o anime não empolga e a culpa disso recai, especialmente, sobre os personagens.

Forçando a barra para estabelecer link com os heróis de O Legado de Júpiter, a trama acaba não desenvolvendo as personalidades do bando de “vilões do bem” ao ponto do espectador criar empatia por eles. Embora Kasey e Carmine tenham carisma, o próprio protagonista Johnny não convence.

Série demais, história de menos

Vale comentar, entretanto, que Super Crooks: O Assalto melhora consideravelmente nos 3 últimos episódios, que justamente trazem o arco contado na HQ. No entanto, os capítulos finais parecem um pouco desconexos com o restante e a sensação que fica para o espectador é que toda a história até ali não era necessária.

Se a ideia era mostrar que a conexão entre Kasey, Johnny e Carmine é forte o bastante para fazer o casal colocar suas diferenças de lado e reunir o bando para roubar o pior vilão que já existiu por uma dívida de jogo, uma minissérie em 4 capítulos talvez fizesse melhor o serviço do que uma produção de 13 episódios.

Afinal, esse contexto é algo que o gibi consegue estabelecer logo nas primeiras páginas.

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