Resident Evil 3: remake marca despedida da franquia dos consoles atuais

Essa onda começou no ano passado, com o lançamento de Resident Evil 2 Remakeque nós jogamos. A ideia de um dos jogos mais queridos da comunidade gamer ser refeito, com gráficos, jogabilidade e história atualizados para a nova geração deu tão certo, que logo a Capcom foi inundada por pedidos de que o título seguinte da franquia recebesse o mesmo tratamento. E eis que, em março deste ano, foi lançado Resident Evil 3 para PS4, Xbox One e PC.

Imediatamente, o hype tomou conta dos fãs da saga de survivor horror. Afinal, Resident 3 conta com um dos vilões mais icônicos da série: o assustador Nêmesis, caracterizado por sua face “derretida” com dentes à mostra, o longo sobretudo e a bazuca que não larga nem por decreto e várias vezes utiliza para golpear a protagonista Jill Valentine, enquanto a persegue por uma Raccoon City pós-surto viral.

Ah, e não se esqueça do asqueroso tentáculo que sai da palma da mão do antagonista, que tem a habilidade de ficar rígido para perfurar crânios, o que ele faz com o pobre policial Brad Vickers logo no início do jogo original.

Apocalipse realista

Como foi feito em RE2, tudo no jogo foi repensado para ficar mais próximo da realidade. Começando pelo design dos personagens. Jill, por exemplo, abandonou a saia jeans e a blusa sem alças – que convenhamos não eram nada práticas para a situação – para adotar uma calça com camiseta regata.

E não é só aos olhos que a moça está diferente. Jill mostra sinais de paranoia e sabe que a conspiração envolvendo a Umbrella Corporation se infiltrou até na polícia, dissolvendo o S.T.A.R.S., time de elite ao qual fazia parte. Com isso, a policial está mais focada e com raciocínio tático, sem tempo para vulnerabilidades e sem dar mole às investidas bregas de Carlos, visto que agora ela encontra com o trio de mercenários um pouco mais cedo.

No remake, Nêmesis aparece em visual ainda mais assustador. (Foto: Capcom)

Nêmesis também está diferente. As cenas da cirurgia que deram origem ao zumbi gigante, que vimos no segundo filme, foram aproveitadas e o sobretudo preto que o vestia antes deu lugar a um saco plástico preto que vai perdendo partes ao longo do jogo. A ausência da roupa desumaniza mais a criatura, que agora parece mais uma arma saindo da capa para entrar em funcionamento. Se era pra deixar mais assustador, funcionou!

Por fim, os soldados da Umbrella também estão mais distintos uns dos outros. Tanto no visual quanto na personalidade. Carlos perdeu a pecha clássica de galã para adotar um estilo mais desleixado e parece o único disposto a ajudar Jill, ainda que com segundas intenções. Mikhail está mais velho, o que faz sentido para o líder do esquadrão. Enquanto isso, a nova versão de Nicholai é mais fria e sociopata do que nunca.

Experiência prévia

Ao jogar essa nova versão de Resident Evil 3 no PS4, procurei ter uma experiência semelhante com a do primeiro título. Sendo assim, optei por não jogar a nova versão de RE2 e pular direto para o título com Jill, como fiz na época. Logo de cara, é possível dizer que nenhum dos acontecimentos prévios faz falta para o entendimento da história. Tudo o que é preciso saber está nos arquivos de texto, encontrados no apartamento de Jill, no início.

É quando o clássico e o novo começam a se misturar. Os documentos estão escritos até na mesma fonte da época, com o mesmo destaque em verde para itens de missão que você deve procurar, inclusive. E a experiência prévia ajuda em tarefas importantes, como ter mais ou menos ideia de quais itens não serão usados agora para guardá-los nos baús, disponíveis ao lado das máquinas de escrever onde o jogo é salvo. Afinal, isso reserva espaço no inventário, o que, em RE, é crucial para sobreviver.

Mas, além disso e saber que a erva vermelha potencializa o efeito da verde, nada é exatamente igual ao que era há 20 anos, o que fez do meu conhecimento do jogo original praticamente desnecessário dali por diante. E isso é o melhor do game, pois faz as aparições surpresas do Nêmesis mais impactantes e imprevisíveis do que eram antes. Ele pode pular na sua frente ao final do corredor e, se você morrer e voltar para esse ponto, ele não necessariamente vai aparecer no mesmo lugar, mantendo você em constante estado de alerta.

Agora, a protagonista Jill Valentine tem menos apelo sexual. (Foto: Capcom)

Outro ponto importante é a câmera e a jogabilidade. Com a visibilidade travada característica da série deixada de lado, Jill agora tem movimentos mais fluidos para correr e desviar dos zumbis. Mas, nem por isso você está livre de tomar sustos dos mortos-vivos, que surgem de cantos imprevisíveis. Selecionar armas, mirar e atirar também ficou mais fácil. Contudo, RE3 não é um shooter como Resident Evil 4 e 5, então espere zumbis duros de matar já na dificuldade padrão.

E não, atirar em fechaduras não faz com que elas abram. Trancas, correntes e cadeados ainda são abertos à moda antiga, o que faz o jogador andar várias vezes pelos mesmos mapas em busca das ferramentas e itens certos. Portanto, prepare-se para desafiar sua memória e a atenção ao mapa para ver quais pontos ainda faltam serem explorados onde você já passou.

Multiplayer assimétrico

Tanto as cópias digitais quanto físicas de Resident Evil 3 ainda apresentam um modo on-line independente da história, Resident Evil Resistance, que a Capcom chamou de “multiplayer assimétrico”. Nele, quatro jogadores participam como sobreviventes e um quinto player assume o papel de vilão.

Como um mestre de RPG, o jogador extra assume o papel de um dos antagonistas da franquia e criará desafios para derrotar o grupo, usando câmeras e um deck de cartas de situação. Ou então, é possível assumir um papel mais ativo, incorporando algum dos monstros da franquia, como G-Birkin ou Tyrant, o Mr. X de RE2.

Assim, a Capcom mostra mais uma vez que ainda é possível inovar em Resident Evil 3 e dar novos contextos a histórias e personagens já consagrados. O veredito sobre esse remake é que trata-se de uma aventura capaz de agradar e prender a atenção dos não iniciados na série, sem deixá-los deslocados no contexto geral da história, enquanto é um verdadeiro presente para os veteranos, que lembram bem de como foi dar cabo do Nêmesis pela primeira vez há 20 anos.

Além de ser uma despedida em grande estilo para a franquia na atual geração de consoles, uma vez que Resident Evil Village promete vir com tudo em 2021 para PC e os recém-mostrados PlayStation 5 e Xbox Series X para levar o medo a outro patamar.

Comentários
Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

Comentários estão fechados.