Os Supremos: as animações que abriram caminho aos Vingadores no cinema

A Marvel tem um histórico e tanto em animações. Afinal, como esquecer de X-Men e Homem-Aranha nos anos 1990? Os desenhos marcaram época e transformaram muitas crianças que assistiram à TV Colosso da TV Globo em leitores de gibis. Contudo, em 2006 os maiores personagens da Marvel até então já mostravam sinais de cansaço em outras mídias, com os capítulos finais de suas trilogias chegando aos cinemas ou prontos para estrear, como Homem-Aranha 3 (2007).

Enquanto o Marvel Studios não passava de uma aposta para a Casa das Ideias, veio o plano de apresentar os heróis da editora em outras mídias. O caminho? Uma animação feita direto para o DVD, caminho no qual a Distinta Concorrência nadava de braçada há anos ao lado da Warner Bros. A ponto de seus longas em home video serem tão aguardados pelos fãs quanto um lançamento nas cinemas.

Nick Fury ganha importância no cenário Ultimate, assim como vimos no cinema.

Os Vingadores eram a bola da vez. Mas, qual seria o ponto de partida? Nos gibis, a equipe formada por Capitão América, Homem de Ferro e companhia contava com dezenas de membros e sempre presa a uma mega saga. Teve também uma série animada com o Homem-Formiga liderando a equipe, que contava com Magnum, Visão e Feiticeira Escarlate, com Ultron como vilão recorrente. O problema é que esse desenho não foi lá unanimidade entre quem assistiu.

Os Vingadores “Ultimate”  

Se a linha regular, ou Universo 616, dos Maiores Heróis da Terra era uma bagunça, o Universo Ultimate estava ganhando espaço. A ideia de fazer o reboot nas histórias dos heróis da editora e recontar suas histórias com viés contemporâneo, inserindo influências de mídias sociais e cultura pop atual nos roteiros, havia agradou leitores antigos e estava fisgando alguns novos. Inclusive no Brasil, publicada sob o selo Marvel Millenium.

Nesse selo, um destaque era Os Supremos, a encarnação dos Vingadores nos tempos atuais, com uma equipe composta por pesos pesados, como Capitão América, Homem de Ferro, Thor, Viúva Negra e Hulk para combater ameaças globais. Estava aí a versão que cairia bem em um filme para o DVD. Um não, dois, já que Os Supremos 2 chegaria no mesmo ano, dando continuação para a trama e inserindo o Pantera Negra.

Pantera Negra está em foco no segundo filme animado dos Vingadores.

Para fazer acontecer, a Marvel se uniu à Lionsgate e chamou Mark Millar e Bryan Hitch, a dupla responsável pelos dois primeiros volumes do quadrinho para trabalhar no filme animado. A história traz o grupo sendo reunido para lidar com os Chitauri, aliens transmorfos com aspecto reptiliano, que movem planejam invadir a Terra desde a Segunda Guerra Mundial, quando se aliaram aos nazistas.

O resultado é uma produção de visual caprichado, que traduz de forma ligeiramente mais suave o ambiente violento e político das HQs e ainda serviu para mostrar que um herói com a bandeira dos EUA no peito descongelado, um gênio alcoólatra numa armadura, um gigante esmeralda enfurecido e alguém que diz ser o deus nórdico do trovão poderiam funcionar juntos em outra mídia que não fosse os quadrinhos.

Isso, desde que o roteiro não fizesse firulas ao tratar esses temas, ainda que superficialmente, e dividisse o tempo de cena, dando importância a todos os personagens. Um caminho que a Marvel não esqueceu na hora de fundamentar os alicerces de seu Universo Cinematográfico, que começou em 2008 com o primeiro Homem de Ferro e tomou o mundo de vez com Os Vingadores, em 2012. O quanto isso tudo deu certo a gente já sabe.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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