Mulher-Maravilha 1984 se aprofunda na heroína com trama atemporal

Quando o novo filme da Princesa Amazona foi anunciado com título atrelado a década de 80, não foi difícil imaginar que a cineasta Patty Jenkins, de volta à direção, apostaria em generosas doses de nostalgia – e até diversão, característica de muitas produções da época. Porém, Mulher-Maravilha 1984 (Wonder Woman 1984, EUA, 2020), que estreia em 17 de novembro, vem com uma trama complexa e mensagens atuais, quase deixando de lado o clima retrô.

Com 2h31 de duração, a estreia mais aguardada do ano – que sofreu vários adiamentos por conta do fechamento dos cinemas pelo novo coronavírus – mostra Diana Prince (Gal Gadot, de Vizinhos Nada Secretos) atuando discretamente como super-heroína em Washington, nos EUA, enquanto leva uma vida solitária. Nestes novos tempos, como 1984 é retratado, em que tudo acaba literalmente se tornando possível, o mundo virou um lugar ainda mais complicado.

Mulher-Maravilha encara vilões que são resultado dos “novos tempos”. (Foto: Warner)

No roteiro assinado por Jenkins, Geoff Johns (Stargirl) e Dave Callaham (Zumbilândia: Atire Duas Vezes), o longa traz Maxwell Lord (Pedro Pascal, de The Mandalorian), que mexe com a ganância das pessoas pela TV, convidando a investir em sua petrolífera para lucrar sem trabalho. A ameaça de Lord escala quando ele obtém um artefato com poderes do deus grego da trapaça, Dólos, que lhe permite conceder desejos a todos, cobrando um alto preço.

Assim, a obra apresenta sua principal mensagem, isto é, as perguntas: você trocaria o que tem de mais precioso pelo seu maior desejo? E quem você seria por isso? O maior exemplo é Barbara Minerva (Kristen Wiig, de Caça-Fantasmas), que abdica de ser uma tímida e bondosa pesquisadora para virar a Mulher-Leopardo. E isso a coloca como vítima de uma sociedade que não a valorizou, como também a põe na pele de uma vilã que assumiu seu lado mais sombrio.

O figurino e trilha sonora oitentista são o charme da produção. (Foto: Warner)

Fundamentando bem as ações da dupla de antagonistas, Mulher-Maravilha 1984 mostra como o “futuro” transformou o planeta num local ainda mais confuso, mesmo depois da aventura inicial no período da Segunda Guerra Mundial. Neste contexto, temos Steve Trevor (Chris Pine, de Star Trek: Sem Fronteiras) como um contraponto dos novos tempos, que se questiona se todo esse progresso fez bem às pessoas e se as guerras ensinaram alguma coisa ao mundo.

Aliás, a globalização vinda com o passar dos tempos é assunto. Afinal, o item que dá poder a Max Lord foi responsável por destruir as civilizações maia e romana de maneira isolada, sem rastros. Contudo, com um viés muito atual, Mulher-Maravilha 1984 exibe a Terra como uma aldeia interligada, em que todo acontecimento tem impacto no planeta. Assim, as coisas saem do controle para a heroína, da mesma forma com que saíram com a pandemia fora da ficção.

Se o filme lançado em 2017 explorou os terrores da guerra, a mais nova produção da DC ressalta as consequências da ganância e da falta de empatia, à medida que se aprofunda nos dramas e sacrifícios da Mulher-Maravilha, mesclando ótimas cenas de ação, diversão, empoderamento feminino e romance. Ou seja, entrega a experiência que 2020 carecia.

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