Marvel’s Avengers empolga na trama, mas repetitividade reduz experiência

Disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC, Marvel’s Avengers foi apresentado na rabeira da estreia de Vingadores: Ultimato nos cinemas e conviveu com comparações com os filmes e críticas ao design dos seus personagens. Apesar disso, meses antes de sua comercialização, o título teve revelados novos heróis, missões adicionais e trajes alternativos, o que trouxe expectativas positivas aos fãs dos Super-heróis Mais Poderosos da Terra.

Porém, apesar do hype, Avengers não se propõe à grandiosidade ou demonstra qualquer ambição de confrontar principais games deste ano, e esse desnivelando acaba sendo um problema. Desenvolvido pela Crystal Dynamics, o jogo oferece uma experiência curta e divertida, que se vê encurtada pelas limitações das tarefas e objetivos, assim como os inúmeros bugs – só na última atualização foram corrigidos mais de mil erros.

A história

A história do game se passa 5 anos depois do A-Day, dia em que os Vingadores inaugurariam uma nova base em São Francisco abastecida por uma fonte de energia inovadora, mas que acabou em tragédia graças a intervenção de vilões como Taskmaster. O incidente causou a morte de civis e do Capitão América e transformou humanos em inumanos.

É neste cenário que somos apresentados a Kamala Khan, a Ms. Marvel, uma jovem inumana que investiga as ações da A.I.M. (Avançadas Ideias Mecânicas) na “cura” de pessoas que receberam superpoderes. À frente de organização, que reina após a queda dos heróis e a falência das Indústrias Stark, estão George Tarleton (M.O.D.O.K.) e Monica Rappaccini, com intenções para lá de obscuras para o futuro do mundo.

Distante dos filmes da Marvel Studios, os personagens tiveram visual constestado.

Cabe a Kamala, que realmente recebe o protagonismo da narrativa, tentar deter os antagonistas e, no processo, reunir novamente os Vingadores.

A experiência

Com aproximadamente 12 horas de duração, o modo história não propicia muita diversidade ao jogador, pois todas as missões se resumem a invadir as bases da A.I.M., destruir algum dispositivo ou proteger membros da resistência – sejam eles agentes da S.H.I.E.L.D. ou inumanos.

Deste modo, para dar conta de cada fase, o jogador precisa elevar o nível de poder de seu super-herói, o que pode fazer vasculhando cada arena, fazer treinos e missões alternativas para encontrar equipamentos – que, quando aprimorados, tornam seu personagem mais forte. A subida de níveis também permite a liberação de novos golpes e especiais.

Kamala tem bom leque de habilidades, mas encara inimigos genéricos.

Bastam algumas horas de jogo para você dominar a dinâmica de melhorias.

Porém, se a mecânica não agrada, a jogabilidade diverte. Além de Kamala, Hulk, Homem de Ferro, Viúva Negra, Thor e Capitão América são os personagens controláveis, e é nas especificidades de cada um que reside toda graça de Marvel’s Avengers. Com Hulk e Thor, vale uma postura mais agressiva no combate corpo a corpo, enquanto Homem de Ferro e Viúva Negra possuem facilidade com ataques à distância.

Os problemas

A atmosfera de reencontro com os Vingadores torna o jogo familiar, ainda que a dinâmica das fases e a aparência dos personagens estejam longe da perfeição. No caso do design dos personagens, as feições dos heróis são similares entre si, o que incomoda.

E, se a campanha curta e repetitiva já desanima, o que vem depois é pior. Quando a história termina, restam missões adicionais e a tarefa de desbloquear uniformes alternativos e as cartas de herói (imagens que estampam o perfil de cada personagem). Entretanto, skins icônicas como o Hulk Cinza são raridade, e predominam trajes mais genéricos que não te encorajam a investir muitas horas na jogatina.

Fato é que, para uma geração que viu Marvel’s Spider-Man, God of War e Batman: Arkham Knight trazendo experiências divertidas, desafiadoras e cativantes, Marvel’s Avengers não oferece mais do que entretenimento raso.

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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