Harley Quinn: série animada confronta machismo e relacionamentos tóxicos

Criada por Paul Dini e Bruce Timm, a Arlequina fez sua estreia em Batman: A Série Animada em 1992 como a namorada que se rebela contra Coringa. Anos depois, a personagem ilustra suas próprias histórias em quadrinhos e está prestes a consolidar sua independência com o filme em live-action Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (2020). Entretanto, para quem deseja conhecer mais sobre a vilã (ou, atualmente, anti-heroína), o serviço de streaming DC Universe lançou sem muito alarde a série animada Harley Quinn.

Em exibição desde 29 de novembro, a atração criada pelo trio Justin Halpern (iZombie), Dean Lorey (Eu, a Patroa e as Crianças) e Patrick Schumacker (Powerless) apresenta uma Gotham City um tanto diferente, uma vez que, sem as amarras da TV, mistura humor destinado para os adultos com generosas doses de violência e xingamentos. Aqui, a protagonista Arlequina é dublada por ninguém menos que Kaley Cuoco (a Penny, de The Big Bang Theory) e precisa encarar o fato de que Coringa jamais a amou, depois de passar 1 ano largada às traças no Asilo Arkham.

Nos dois primeiros episódios, vemos alguns dos trajes icônicos da vilã. (Foto: DC Universe)

Para se libertar deste relacionamento abusivo, a antiga Dra. Harleen Frances Quinzel conta com a ajuda da sua melhor amiga, a debochada Hera Venenosa (Lake Bell, de Childrens Hospital), com quem traça planos de conquistar um lugar na Legião do Mal – organização criminosa composta pelos maiores vilões da DC Comics. No entanto, intrínseco a este desejo, está o anseio de Arlequina de provar todo seu valor ao Príncipe Palhaço do Crime, isto é, Coringa (Alan Tudyk, de Patrulha do Destino), até ela descobrir que superar (por muito!) seu ex.

Neste universo de empoderamento feminino, figuras masculinas recebem outra visão, como o neurótico Comissário Jim Gordon (Christopher Meloni, de Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais) e o sensível Bane (James Adomian, de Madrugada Muito Louca 2). Literalmente um caso a parte, o relacionamento/a rivalidade de Batman (Diedrich Bader, de Scooby-Doo & Batman: Os Bravos e Destemidos) e Coringa explora a masculinidade frágil de ambos e toda a obsessão desenvolvida ao longo de décadas pelo herói contra o vilão e vice-versa.

Arlequina está livre, leve, solta e pronta para dar o troco! (Foto: DC Universe)

Aproveitando a liberdade do streaming, a série animada de Harley Quinn mergulha de cabeça no humor politicamente incorreto, discutindo com acidez temas importantes como machismo, relacionamentos tóxicos e o lugar da mulher no mundo.

Comentários
Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Comentários estão fechados.