Ghost in the Shell: SAC_2045 tem boa história, mas se perde no ritmo

O mundo passou por um colapso econômico e vive agora em um permanente conflito, uma guerra sustentável. Nesse cenário, a Major Motoko Kusanagi lidera um pelotão de mercenários ciborgues de elite, que lidam como podem com as consequências dessa nova ordem mundial. Esse é o contexto de Ghost in the Shell: SAC_2045, série em computação gráfica, que estreou na Netflix em 23 de abril.

Com 12 episódios, a obra vai na esteira de outras produções do gênero para o streaming, como Ultraman. A direção é de Shinji Aramaki, nome forte nos animes, envolvido na produção de títulos conceituados, como Fullmetal Alchemist e Applesed, sendo diretor da ótima refilmagem deste último, feito em 2004 e em sua sequência, Appleseed ExMachina, de 2007. Também é dele o longa Appleseed Alpha, prelúdio feito em 2014. Todos estão no catálogo da Netflix.

Neste novo anime, o foco da trama está nos chamados pós-humanos. (Foto: Netflix)

Assim como produções similares do streaming, o design do anime é impecável. Com uma animação fluida e que lembra games recentes nas cenas de ação, o novo Ghost in the Shell capricha no visual para prender o público. A classificação também é 18 anos, ou seja: não há firulas contra as cenas de violência mais gráfica ou a inserção de elementos adultos.

Tachikomas presentes

Uma das maiores preocupações dos fãs da franquia é a retratação dos personagens, que foi preservada. Major continua sendo a chefe casca grossa ao lado de Batou, seu carismático braço direito. Outros personagens como chefe Aramaki e Togusa também têm o destaque merecido e seguem a linha de ação do mangá de Masamune Shirow e outras séries da franquia, como Stand Alone Complex, de 2002.

Com isso, as questões filosóficas sobre almas humanas em corpos cibernéticos, que tornaram cult o anime original, não são aprofundadas, assim como não ocorre no papel. Mas, mesmo que vá longe dos conceitos mostrados em O Fantasma do Futuro (como ficou conhecido o desenho aqui) – também disponível na Netflix –, a nova série não perde em nada em termos de história.

Major começa agindo como mercenária junto de sua equipe. (Foto: Netflix)

Prova disso é a presença dos divertidos tanques-robô inteligentes Tachikoma e o fato do seriado ter pitadas de humor feitas pelos membros do grupo ao longo dos episódios. A trama de fundo, mostrando o Japão como praticamente uma colônia dos EUA após o colapso da economia também é um acerto. Verossímil com o mundo atual, o contexto contribui tanto para a história principal e para a criação de passagens geniais, caso do sexto episódio, sobre a gangue de idosos assaltantes de banco.

Engrena, mas demora

Contudo, infelizmente, Ghost in The Shell SAC_2045 tem problemas de ritmo e condução que a produção não merecia. O começo arrastado, com o bando da Major agindo como mercenário depois da dissolução da Seção 9 é desnecessário para explicar seu retorno para o funcionalismo público e dava para ser mais resumido.

Isso faz com que a trama principal, a caçada aos misteriosos pós-humanos, demore para engrenar, criando um dos finais de temporadas mais anti-climáticos já vistos. E esse é um ponto que precisa ser revisto urgentemente para a segunda temporada.

Como não foi possível amarrar tão bem como Ultraman, aumentar mais episódios no próximo ano e reduzir o tempo de hiato até ele seria o melhor caminho para não prejudicar o interesse do público. Afinal, quem assiste sabe a diferença entre deixar gancho e cortar uma história no meio.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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