Garo: o novo tokusatsu do Amazon Prime Video

“Onde há luz, as trevas se escondem e o medo reina. E pela lâmina do cavaleiro, a raça humana recebeu esperança”. É com essa frase narrada em voz sinistra e desenhos de runas que começa cada capítulo do tokusatsu Garo – lançado em 2005 e inédito no Brasil – , agora disponível no serviço Amazon Prime Video e distribuição da Sato Company.

Diferente de outras produções do gênero live-action japonês que conhecemos, como Jaspion, Jiban e Jiraiya – também já disponíveis no Prime Video – Garo é uma série destinada para o público adulto, por conter histórias mais pesadas e eventuais cenas de nudez. Embora não tenha nada explícito, como Game of Thrones ou próprio The Boys.

Pesado, Garo é atração nas madrugadas japonesas.

Garo conta a história de Kouga Saejima, cavaleiro Makkai que detém o título de Garo. Ele, assim como seu pai, dedica a vida a eliminar Horrores, os seres de outra dimensão que devoram a alma – e, às vezes, o corpo – de seres humanos. Os horrores vêm ao nosso mundo por meio de portais, que são, na maioria das vezes, objetos descartados ou carregados de energia negativa, como raiva, rancor e desprezo.

O cavaleiro dourado

Para atender sua missão, Kouga tem o auxílio do fiel mordomo Gonza, sua espada e de Zaruba, um anel falante em formato de caveira que lhe dá conselhos de como matar monstros – além de ótimo senso de humor. Kouga também é capaz de conjurar a armadura dourada ao riscar o ar acima de si com a espada com um círculo. O traje com cabeça de lobo pode ser usado apenas por 99,9 segundos e existe uma razão para isso – que não é nada bonita de se ver.

Um dos pontos altos de Garo é seu didatismo. A série explica ao espectador quem é quem nesse universo místico sem enrolação, desde os Cavaleiros Makkai – não, Garo não é o único – até os Sacerdotes Makkai. Tudo para que o fã possa curtir os episódios, carregados com doses de suspense, terror psicológico e ocasional violência gráfica.

Com um herói sombrio, Garo explora os horrores do mundo moderno.

Outra característica da série é o enredo sem meias palavras. Temas recorrentes da sociedade japonesa, como a solidão e o suicídio, bem como a depressão pelo fracasso profissional são abordados de maneira direta. Pois, são normalmente canais por onde os Horrores chegam à Terra. Exibido durante as madrugadas do Japão, Garo é como o lado negro dos filmes inocentes que assistíamos quando criança na extinta TV Manchete.

Além dos 25 episódios que compõem a 1ª temporada, o Prime Video traz dois longas de Garo: A Flauta Secreta e Red Requiem, que também valem a pena ver. Como o público brasileiro tem tradição em gostar de tokusatsu, esperamos que mais temporadas e spin-offs de Garo deem as caras por aqui.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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