Entre Montanhas, novo longa da Apple TV+ dirigido por Scott Derrickson, parte de uma premissa promissora: dois agentes posicionados em lados opostos de um desfiladeiro, vigiando uma ameaça desconhecida que pode colocar a humanidade em risco. Mas o filme logo deixa claro que a história é menos sobre o monstro e mais sobre as pessoas encurraladas por seus próprios traumas.
De um lado está Levi (Miles Teller), um operador de elite que carrega culpa e frustração desde sua última missão. Do outro, Drasa (Anya Taylor-Joy), tão eficiente quanto enigmática, marcada por um passado que ela tenta manter enterrado. É entre eles que o filme constrói seu eixo emocional – e também suas maiores oscilações.
Um romance que cresce na beira do fim do mundo
Scott Derrickson filma a solidão como comportamento, não como cenário. Os dois personagens se observam, se escutam e se conectam à distância, como se o penhasco entre eles fosse só mais uma barreira emocional.
E quando o romance enfim desponta, ele funciona não pela lógica da trama, mas pela entrega dos atores. Miles Teller e Anya Taylor-Joy possuem química o suficiente para transformar conversas curtas e olhares à distância em uma relação crível, ainda que apressada.
O problema é que o filme trata esse romance como peça central quando a história já pressiona o ritmo para a introdução da ameaça. A consequência é uma sensação de desequilíbrio: o coração do longa pulsa tarde demais.
O terror de Derrickson aparece, mas não fica
Apesar de contar com um diretor que domina o horror, Entre Montanhas utiliza o elemento monstruoso mais como metáfora do que como ameaça física. As aparições da criatura são pontuais, e a ação chega em blocos concentrados, quase sempre eficazes, mas que não sustentam o mistério por muito tempo.
Derrickson traz ecos de A Entidade e O Telefone Preto na forma como insinua o inexplicável, mas aqui ele parece mais interessado nas relações humanas do que no terror propriamente dito.
Um filme que vale pelo elenco
Se o roteiro oscila, o elenco mantém a experiência de pé. Anya Taylor-Joy entrega uma personagem que combina fragilidade, força e um senso de responsabilidade que vai revelando camadas aos poucos. Já Miles Teller traz seu melhor trabalho desde Top Gun: Maverick, explorando um Levi dividido entre autossacrifício e desejo de recomeçar.
E é impossível não mencionar Sigourney Weaver, mesmo com participação menor. Ela carrega aquela presença que domina qualquer cena, servindo como ligação entre o passado e o presente dos personagens.

