Desde o primeiro trailer, Amores Materialistas parecia ser aquele romance moderno iluminado por neon, estrelado por três nomes queridos do grande público – Dakota Johnson, Pedro Pascal e Chris Evans. A promessa era clara: uma comédia romântica afiada, sensual, divertida e cheia de química. Ao entrar na sala de cinema, no entanto, o filme mostra outra face: menos glamour, mais melancolia; menos triângulo amoroso vibrante, mais estudo social em tom moderado.
O problema não é a virada, mas sim a fricção entre expectativa e entrega.
Um marketing que promete brilho, mas filme que prefere olhar para baixo
Todo o material oficial apresentado ao público – pôster, trailer, fotos, entrevistas – vendia Amores Materialistas como um romance leve sobre escolhas do coração em meio a um triângulo irresistível. Na prática, o longa de Celine Song trilha um caminho mais silencioso, quase antisséptico, sobre relações condicionadas por status, insegurança econômica e solidão.
É um filme sobre o desconforto de amar em tempos em que tudo é calculado – altura, salário, tipo de corpo, histórico profissional. Mas essa abordagem só aparece no cinema, nunca nas peças de divulgação. Quem chega esperando uma comédia romântica elétrica encontra algo lento, introspectivo e, em alguns momentos, até seco.
Os três protagonistas funcionam, mas não da forma esperada
Dakota Johnson entrega uma Lucy mais perdida que sedutora, uma mulher que tenta validar a própria vida ajudando outras pessoas a encontrarem parceiros “perfeitos”. Pedro Pascal vive um ex que nunca se encaixou no molde econômico do mundo dela. Chris Evans, por sua vez, surge como o ideal materialista – rico, estável, bonito – mas o roteiro não o usa com o brilho esperado.
A química entre os três existe, mas não é o motor do filme. Isso pesa, porque a campanha martelou insistentemente a ideia de “triângulo amoroso do ano”.
Celine Song busca profundidade, filme se parte entre duas intenções
Há ideias interessantes aqui: a crítica ao mercado afetivo, a insegurança emocional como moeda, o medo de escolher errado em um mundo cheio de opções que na prática não levam a lugar nenhum.
Mas Song parece dilacerada entre fazer um retrato honesto e entregar algo palatável para grande público. O resultado é um meio-termo curioso: inteligente, mas nem sempre envolvente.
Quando o marketing engana, o impacto é inevitável
Amores Materialistas não é um filme ruim. Pelo contrário: tem momentos sensíveis, reflexões atuais e um olhar afiado sobre o “valor” que as pessoas atribuem a si mesmas e aos outros.
O problema é que o marketing vendeu outra coisa – e isso acompanha o espectador durante toda a sessão. O que deveria ser uma história sobre amor imperfeito vira, então, um filme sobre frustração silenciosa.
Talvez, se tivesse sido vendido como o que realmente é – um estudo emocional sobre amor, capital e escolhas – a recepção fosse muito mais calorosa.

