Com boas atuações, Crime sem Saída vai além do polícia e ladrão

Durante os 4 anos em que se tratava, em segredo, do câncer de cólon que o levou no último dia 28 de agosto, Chadwick Boseman deixou uma invejável lista de filmes, além de suas participações na Marvel Studios como o Pantera Negra. E um deles é Crime sem Saída (2019), que pode ser visto no Amazon Prime Video.

Na trama, que ainda tem Sienna Miller (G.I. Joe: A Origem de Cobra), Taylor Kitsch (X-Men Origens: Wolverine) e J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição) no elenco, Boseman é Andre Davis, um detetive de Nova York conhecido por sua extensa lista de homicídios registrados. Todos em legítima defesa e justificáveis, segundo ele.

Chadwick Boseman de terno preto aberto e camisa azul segurando revólver

Davis tem histórico de apertar o gatilho em situações críticas. (Foto: STXfilms)

Em meio a uma investigação da corregedoria por suas ocorrências, Davis é colocado em um caso violento: dois homens, Ray (Kitsch ) e Michael (Stephan James) assaltam um restaurante fachada do tráfico e levam 50 quilos de cocaína pura. Bem mais do que esperavam. No caminho para fora, eles entraram em confronto com a polícia e deixaram sete oficiais mortos.

É então que Davis precisa unir forças com a agente da divisão de narcóticos Frankie Burns (Miller) para caçar os dois e trazê-los à justiça madrugada adentro, enquanto procura livrar os suspeitos, inclusive, do ódio da força policial de Manhattan.

Simples e brilhante

À primeira vista, Crime sem Saída parece um clássico filme de “polícia e bandido” da década de 90, com o tira durão de dedo nervoso no encalço de dois assassinos de policiais sem escrúpulos. Mas, as boas atuações do longa, ao lado da direção consistente de Brian Kirk (Penny Dreadful) consegue levá-lo muito além da mesmice.

Com um roteiro bem amarrado – assinado por Adam Mervis e Matthew Michael Carnahan –, o filme surpreende ao seu protagonista se esforçando para ser justamente o oposto do que se espera dele. E o mérito de Boseman está em mostrar isso enquanto revela um personagem que ainda colhe as amarguras do assassinato de seu pai, também policial de Nova York.

Davis descobre que a sujeira do tráfico comprometeu a polícia. (Foto: STXfilms)

A produção também é brilhante no seu retrato da corrupção. E não estamos falando de policiais vivendo como marajás, mas todo um sistema que não reconhece o trabalho dos homens da lei ao mesmo tempo que fecha as portas da oportunidade para jovens da periferia, colocando um grupo contra o outro, ainda que empurre ambos para a marginalidade. A cereja do bolo é mostrar o serviço militar como uma opção errada para esses jovens, que acabam voltando para as ruas treinados ainda mais letais.

Como um episódio executado com maestria de uma boa série policial, Crime sem Saída entrega boas doses de ação e reflexões profundas sobre certo e errado, aproximando os dois lados em um contexto assustadoramente real.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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