Battlestar Galactica: série é muito mais que um remake setentista

Uma das estreias do mês de maio no serviço de streaming Amazon Prime Video é Battlestar Galactica. Remake da série Galactica: Astronave de Combate (1978/1979), o programa chega à plataforma completo, com suas quatro temporadas, que foram ao ar entre 2004 e 2009.

Mas, por que mesmo dez anos depois de seu término, a atração segue relevante no cenário da cultura pop e com lugar especial no coração de muitos nerds mundo afora? Bem, começa pelo fato de que seus 73 episódios vão muito além da história contada nos 21 capítulos da série original. E não estamos falando só em quantidade.

Elenco completo do remake de Battlestar Galactica

Com tramas bem elaboradas ao logo de 4 temporadas, Battlestar Galactica é cultuada pelos nerds.

Enquanto o conceito de78 trazia muito de Star Wars, com duelos de caças espaciais na guerra entre humanos Cylons (ou cilônios, como ficaram conhecidos no Brasil), o programa levou o conflito para outro patamar. Trazendo as batalhas no espaço agora como pano de fundo, Battlestar Galactica se aprofunda ao exibir episódios focados na humanidade dos seus personagens.

Em seus 4 anos, vemos o drama de uma espécie confinada em naves sem saber direito para onde vai, enquanto enfrenta a incerteza de seu futuro. E essa ameaça trouxe a realidade para a ficção científica na TV, algo inédito para o formato até então. E mais coerente graças ao visual realista no qual as naves e equipamentos usados no programa são feitos.

O fim da raça humana

Na trama, faz cerca de três décadas que um armistício decretou o fim do conflito entre humanos e cilônios, robôs com inteligência artificial criados por nós para realizar tarefas pesadas. Após 30 anos exilados no espaço e sem dar notícias, eles ressurgem com tudo: em um ataque nuclear orquestrado, destruindo de uma vez os doze planetas que compõem o sistema chamado de As Colônias de Kobol.

Tudo que sobra da raça humana são aproximadamente 30 mil pessoas, que viajam através do espaço entre um planeta e outro na hora do ataque. E para defendê-los, toda confiança recai sobre a Battlestar Galactica, a mais antiga nave de combate em atividade. Estrela da última guerra contra os cilônios, a Galactica havia transformado alguns de seus decks em um museu e estava prestes a se aposentar. Não mais.

Imagem da espaçonave Battlestar Galactica

Battlestar Galactica seria aposentada após anos de serviço, mas volta a ser ferramente essencial para a humanidade.

E agora? Já que não há mais um lar para todos voltarem, para onde ir? É aí que o capitão William Adama (Edward James Olmos, de Blade Runner) traça rumo para o único planeta possível, com um discurso dizendo que a vida nas 12 colônias havia começado nesse lugar. E ele não é Kobol, o mundo de onde saíram os peregrinos das colônias, mas, sim, um outro que a humanidade deixou há muito tempo: a Terra. É essa viagem que acompanhamos ao longo de quatro anos.

Máquinas imperfeitas

Se as máquinas estão um passo à frente, há um motivo. Eles não se resumem a soldados metálicos e caças inteligentes: há seis modelos deles que se parecem conosco. Agentes infiltrados orgânicos, mas capazes de fazer o download de suas consciências para uma matriz e, literalmente, reencarnar em novos corpos idênticos, trazendo as lembranças anteriores.

Mas, um detalhe importante é que nem todos os cilônios têm ciência de que não são humanos até que sejam ativados para executar sua missão. Com isso, são obrigados a conviver com suas memórias passadas e sua nova programação, o que acaba gerando eventuais conflitos entre as fileiras sintéticas. Alô, Westworld.

Imagem de um Cylon em Battlestar Galactica

Os Cylons, inclusive, são muito referenciados na série The Big Bang Theory.

Na frota humana, racionamento de bens essenciais e a necessidade de estabelecer um governo democrático, que ajude nossa espécie a continuar viva, introduzem um tom político pesado à série. Ou seja, é um seriado de guerra espacial no qual nenhum tiro será dado em muitos episódios e nem por isso ele se torna menos interessante.

E ainda sobra tempo para discutir assuntos polêmicos, como tortura em tempos de guerra, religião e messianismo e até dramas familiares. Além de um suspense infindável que nos deixa sem saber quem é e quem não é cilônio disfarçado até o final. Assim, Battlestar Galactica se firma como uma série imperdível sobre heroísmo e imperfeições das relações humanas enquanto resistem à própria extinção.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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