Exclusivo: Diretor Gustavo Steinberg fala sobre filme Tito e os Pássaros

No sábado (08/12), durante a Comic Con Experience 2018, ocorreu a exibição da animação nacional Tito e os Pássaros, que tem estreia marcada para fevereiro de 2019. Após o término do filme, tivemos a oportunidade de entrevistar o diretor Gustavo Steinberg, que nos contou com exclusividade alguns detalhes sobre a produção do longa-metragem.

Steinberg nasceu em São Paulo, em 1973. Ele já produziu seis filmes, dirigiu dois e escreveu o roteiro de quatro títulos desde 1995. Tito e os Pássaros é o seu primeiro trabalho de animação e já foi indicado ao Annie Award e pré-indicado ao Oscar 2019 na categoria Melhor Animação, o único brasileiro em uma lista com 25 obras. No Brasil, a produção teve sua primeira exibição no Anima Mundi, em julho deste ano, tendo recebido o prêmio de melhor longa infantil.

Após a pré-estreia de Tito e os Pássaros, Steinberg nos concedeu uma entrevista exclusiva. (Foto: Daniel Generalli)

O filme conta a história do menino Tito, que se lança na missão de salvar o mundo de uma epidemia incomum: as pessoas ficam doentes ao sentirem medo. Durante a trama, o clima sombrio vai ficando cada vez mais nítido pela sua estética inspirada no movimento expressionista. “As cores e os traços, além de acentuarem os tons da narrativa, também fazem com que o filme se sobressaia, pois não existe nenhum outro longa infantil com uma estética parecida com a de Tito”, explica Steinberg.

Gustavo Steinberg também comenta que outro fator relevante sobre seu novo trabalho é a sua contemporaneidade: “Tito dialoga diretamente com o nosso dia a dia, abordando um tipo de medo que todos nós vivenciamos”.

Este medo é representado no filme (principalmente) pelo antagonista Alaor, um empresário do ramo imobiliário que se aproveita das mazelas sociais para promover seus projetos. Para ele, é interessante que os jornais sigam bombardeando as pessoas com notícias ruins, pois, assim ele pode vender um empreendimento que providencie liberdade e segurança para seus moradores: o Jardim Redoma.

A estética expressionista ajuda a criar o clima de medo na animação

Steinberg revelou que uma versão antiga do roteiro foi apresentada para um grupo de crianças para saber como elas receberiam uma história que abordasse esse tema. “Isso foi muito importante para sabermos o quanto de medo poderíamos colocar na história. E todo mundo se surpreendeu ao ver que as crianças pediam uma carga ainda maior”.

Para toda a equipe de produção, sempre foi clara a importância de falar sobre este assunto com o público infantil. Segundo o diretor, a intenção sempre foi fazer um filme que as pessoas gostassem de assistir e que, ao mesmo tempo, pudesse promover um diálogo entre pais e filhos sobre uma questão delicada e que pode ser resolvida pelas crianças no futuro.

Com as indicações para o Annie Award e o Oscar, Steinberg enxerga novas oportunidades para fazer com que mais pessoas assistam ao filme e espera que o Brasil consiga produzir mais e mais filmes que atravessem fronteiras e sejam relevantes em vários países.

Para finalizar a conversa, o cineasta mandou um recado para todos os fãs da sétima arte: “Os brasileiros estão indo cada vez menos ao cinema, só vão para assistir a espetáculos. Na nossa modesta posição de pequena produção, eu gostaria de falar para todos os espectadores que este filme é um espetáculo! Um espetáculo completamente diferente, que está fazendo sucesso nos Estados Unidos! Então, por favor: vão ao cinema! Vocês não vão se arrepender!”

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Daniel Generalli

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo, nerd de nascimento e ganhador do troféu HQMix pelo TCC "Vozes e Traços - O Novo Cenário Brasileiro de HQs".

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