Desde Rebel Moon, Zack Snyder repete em entrevistas que quis criar o “novo Star Wars”. A ambição é clara, o visual é grandioso, mas o impacto… esse nunca veio. A verdade é que, enquanto Snyder buscava seu épico espacial, Duna: Parte 2 já estava entregando aquilo que Hollywood tenta há décadas: um sucessor espiritual genuíno da saga criada por George Lucas.
O filme de Denis Villeneuve não apenas amplia a história iniciada em 2021 – ele constrói um mundo vivo, ameaçador e politicamente complexo, que dialoga com a mitologia de Star Wars sem imitá-la. Se lá atrás Lucas se inspirou em Frank Herbert para erguer sua ópera espacial, aqui vemos o ciclo se completar: Duna assume o lugar de maior epopeia moderna do cinema sci-fi.
Um épico construído com calma
O mérito de Parte 2 começa na maneira como Villeneuve trata o universo de Arrakis. Não há atalhos, não há explicações mastigadas, não há medo de peso dramático. Paul Atreides (Timothée Chalamet) não vira herói de uma hora para outra: ele é moldado pelo deserto, pelos fremen, pela dor e pela manipulação religiosa que Lady Jessica aciona sem hesitar.
O que diferencia Duna de Rebel Moon – e do próprio cinema de Snyder – é justamente esse cuidado. Enquanto Snyder empilha cenas e visual, Villeneuve trabalha destino, política, poder e consequência. Cada escolha tem peso. Cada morte tem sentido. Cada visão de Paul aponta para um futuro tão grandioso quanto trágico.
O impacto que Star Wars teve em 1977, Duna repete em 2024
A comparação inevitável não está na estética, mas na sensação coletiva. Duna: Parte 2 virou evento. Virou discussão. Virou referência. É aquele tipo de filme que você assiste sentindo que algo maior está nascendo.
A construção dos Harkonnen, o arco de Chani (Zendaya), o duelo contra Feyd-Rautha (Austin Butler) e o uso simbólico das religiões e mitologias fazem Arrakis parecer tão vasto e palpável quanto Tatooine foi na década de 70. É a mesma emoção de acompanhar um universo em formação – só que agora com maturidade, densidade política e uma fotografia que beira o sublime.
Hans Zimmer, mais uma vez, faz o impossível: cria uma trilha que já nasce clássica.
Enquanto Snyder olha para o passado, Villeneuve cria o futuro
Não falta talento visual em Snyder. Rebel Moon é bonito, fluido, estilizado. Mas falta mundo. Falta estrutura. Falta aquilo que Duna entrega de forma absoluta: imersão.
Villeneuve não tenta reinventar Star Wars. Ele leva a ficção científica para um lugar mais adulto, denso e mitológico — e, no processo, reacende a sensação de presenciar o nascimento de uma nova era para o gênero.
Se há um “novo Star Wars” no horizonte, não é Rebel Moon. É Duna.

