Westworld: 2ª temporada expande parque e cria universo próprio

Se na sua 1ª temporada Westworld resolveu mistérios e nos deixou boquiabertos com os acontecimentos revelados em seus últimos episódios (além de estimular o ouvido tentando acertar quais músicas tocavam na pianola a cada capítulo), a segunda temporada tem como desafio mostrar como cada personagem lidou com as suas escolhas. Principalmente Bernard Lowe (Jeffrey Right, de 007 – Cassino Royale), que ainda está digerindo o fato de ser um anfitrião e ter matado Theresa Cullen (Sidse Babett Knudsen, de Inferno), sua amante, a mando de Ford (Anthony Hopkins, de Dois Papas).

Com o trauma bagunçando os fatos em sua cabeça, temos mais uma vez o recurso das linhas temporais utilizado na temporada anterior, mas de uma forma ainda mais confusa, fazendo com que o espectador acompanhe o personagem enquanto ele busca por respostas ao lado da equipe de soldados da Delos – que está lá para colocar ordem na casa.

Dolores e Bernard ficam chegam ao núcleo dos segredos do parque. (Foto: HBO)

Também abalada com os fatos as revelações sobre William (Jimmi Simpson, de Black Mirror), está Dolores Abernathy (Evan Rachel Wood, de Across the Universe) segue empenhada em sua missão de reduzir o local – e quem mais cruzar seu caminho – a pó. Ainda nos domínios de Westworld, acompanhamos o calvário do Homem de Preto (Ed Harris, de A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos) enquanto ele tenta sair do local vivo.

Já Maeve (Thandie Newton, de Han Solo: Uma História Star Wars) e Hector (Rodrigo Santoro, de 300) estrelam alguns dos momentos mais interessantes da temporada ao entrarem no “Shogun World“, parque ambientado no Japão Feudal. Decidida a conseguir uma rota de fuga do local e encontrar a menina que acredita ser sua filha, a trupe composta pelo bandido, a prostituta, os técnicos e o roteirista Lee Sizemore (Simon Quarterman, de Filha do Mal) funciona bem, como um grupo de jogadores de RPG perdidos em uma terra estranha.

Mistura de elementos

Seja pelas revelações sobre o parque que Bernard vai descobrindo ou para ver o objetivo final da jornada de Dolores, a segunda temporada conserva o clima de mistério e mantém o interesse do público por todos os episódios até o grande desfecho dos capítulos finais.

Para prolongar a experiência desse ano, Westworld investiu pesado nos fillers, episódios sem muita contribuição para a trama principal feitos para, literalmente, ocupar espaço. Mas, nem por isso eles são dispensáveis. Compostos por uma beleza estética incomum nos seriados de TV, esses capítulos individuais mostram o quão rica é a narrativa criada pelos administradores do parque e como algo que não existe pode ter mais vida do que a própria vida, como vemos no oitavo episódio, (intitulado “Kiksuya“), e boa parte das aventuras no Shogun World.

Maeve e Hector saem em jornada separada para explorar o chamado Shogun World. (Foto: HBO)

Assim como na primeira, a dúvida de quem é humano e quem é anfitrião paira muitas vezes sobre diversos personagens e ainda não fica totalmente claro se todos foram descobertos, mostrando que há muita história para contar daqui em diante. Aliás, a série parece sempre estar de olho no próximo passo e, se tem algo que essa temporada indica para o futuro, é que o mundo fora do parque está prestes a ser explorado pelos anfitriões, agora que eles sabem para quê foram criados. Para desespero da raça humana.

e se teve um ponto que essa segunda temporada mostrou é que o futuro criado em Westworld tem um mundo imenso fora do parque está prestes a ser explorado pelos anfitriões, agora que eles sabem para quais motivos foram criados. Para desespero da raça humana.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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