Umbrella Academy: Suíte do Apocalipse traz heróis bizarros e humor ácido

Tema de seriado original da Netflix, Umbrella Academy é a história em quadrinhos criada por Gerard Way (vocalista da banda My Chemical Romance) em parceria com o ilustrador brasileiro Gabriel Bá (vencedor do Prêmio Eisner por conta da adaptação de “Dois Irmãos”). Originalmente, a obra foi publicada pela Dark Horse em 2007, mas, aqui no Brasil, a saga foi lançada pela Devir em 2009, com o primeiro volume intitulado “Suíte do Apocalipse”.

Composto por seis histórias, o primeiro livro de Umbrella Academy apresenta ao leitor um evento inexplicável, no qual quarenta e três crianças foram geradas espontaneamente por mulheres que não apresentavam sinais de gravidez. Tais crianças manifestam habilidades especiais, e sete delas acabam adotadas por Sir Reginald Hargreeves, um estudioso que as reúne como uma família disfuncional de super-heróis, a chamada Umbrella Academy.

Sob a tutela de Hargreeves, um cientista e empresário milionário mundialmente famoso conhecido por “O Monóculo”, os meninos embarcam em missões heroicas para deter vilões como Robô-Zumbi Gustave Eiffel, que transforma o maior ponto turístico de Paris em uma ameaça mortal. Duas décadas depois, o grupo foi desfeito e segue separado, mas logo os protagonistas precisam se juntar novamente por conta da morte do pai adotivo.

Entre atritos e velhas mágoas, os heróis se unem para salvar o mundo.

A trama avança sobre as circunstâncias suspeitas do falecimento, e isso nos permite conhecer os protagonistas desse mundo criado por Way, que são: Spaceboy (Luther, o número 1), Kraken (Diego, o número 2), Rumor (Allison, a número 3), Séance (Klaus, o número 4), Número 5, Horror (Ben, o número 6) e Vanya (a número 7). Desde pequenos, eles são acostumados a serem chamados por números, que depois são substituídos por codinomes.

Enquanto Spaceboy, dono de um corpanzil de gorila, e Kraken, vigilante especializado no combate com facas, disputam a liderança do time, Rumor e Séance lidam com os efeitos de seus poderes em suas vidas pessoais. Deste modo, Rumor utiliza seu poder de influenciar a decisão de outras pessoas para conseguir a vida que sempre sonhou, à medida que Séance é assombrado pela visão dos mortos. Vanya, por sua vez, é menosprezada por não exibir poderes.

Porém, é Número 5 (e só o conhecemos por este nome) quem rouba a cena. Capaz de viajar pelo tempo, o personagem esteve no futuro – onde foi treinado como assassino – e retorna ao presente como adulto em seu corpo de garoto para avisar que o fim do mundo acontecerá nos próximos três dias. A previsão de Cinco se desenvolve a cada capítulo e se amarra às ações da Orquestra dos Malditos, liderada por O Condutor, cujo plano é pôr Vanya contra seus irmãos.

Mesmo corpo de criança, Número 5 mantém os hábitos e humor de um adulto carrancudo.

Com potencial para fazer frente a Marvel e DC, Umbrella Academy: Suíte do Apocalipse é a porta de entrada para um universo de figuras bizarras, que cativam pelas personalidades singulares e humor embutidos por Gerard Way, assim como pela arte cartunesca de Gabriel Bá, que oferece uma experiência visual leve e empolgante – também graças às cores de Dave Stewart. Ácida e autêntica, a HQ é uma leitura refrescante entre o gênero de heróis.

Comentários
Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Comentários estão fechados.