Três Homens em Conflito: HQ do Deadpool acerta com medalhões da Marvel

Ler uma HQ do Deadpool é catártico. A forma como o personagem não se leva a sério – e nem a ninguém – é o bastante para que o leitor mergulhe por horas em histórias descompromissadas, que batem no teto do politicamente incorreto. Mas, no meio dessa desordem toda, os gibis do mercenário tagarela surpreendem com algo inteligente. Foi assim com a “Trilogia do Massacre” (Deadpool Massacra o Universo Marvel, Deadpool Massacra os Clássicos e Deadpool Massacra Deadpool) e se repete com Três Homens em Conflito.

O encadernado publicado pela Panini reúne dois arcos de histórias, ambos escritos por Brian Posehn e Gerry Duggan. O primeiro começa nos anos 1970, com Wade Wilson se convidando para os Heróis de Aluguel ao lado de Luke Cage e Punho de Ferro. Mesmo a contragosto, o trio segue no encalço do Homem Branco, gângster com o poder de petrificar as pessoas. A trama chama a atenção pela ambientação, que traz desde um Deadpool trajado com o figurino da época, incluindo uma peruca black power.

O quadrinho mostra boa integração entre Deadpool e ícones da Marvel.

Em seguida, temos a história que dá nome ao volume, onde o Deadpool lida com bandidos que roubam seus órgãos para experimentos misteriosos. Mas Wade está decidido a colocar um fim nisso, nem que seja preciso ser levado para a Coreia do Norte como prisioneiro. Por sorte, ele tem ao seu lado ninguém menos do que Wolverine e Capitão América para resolver a situação, embora nenhum dos dois quisesse realmente estar ali. As ilustrações são de Declan Shalvey.

Insano e imprevisível

Por mais despretensiosa que seja, Três Homens em Conflito já pode ser considerada uma das mais importantes histórias do anti-herói, uma vez que o coloca em uma situação absurda o suficiente para deixá-lo sem piadinhas: a possibilidade de ter uma filha. E, para deixar tudo ainda mais louco, o mercenário agora divide o corpo com uma segunda consciência, a da Agente Preston da Shield – explicado melhor em volumes anteriores, mas não compromete o entendimento dessa.

A presença da Agente Preston é mais um elemento no leque de bizarrices que constrói o personagem. Afinal, no roteiro de Duggan e Posehn, nada parece tão insano para ficar de fora, inclusive Deadpool sendo mutilado periodicamente para que seus órgãos sirvam a propósitos ainda mais estranhos. Mais estranho ainda é a história ser boa.

No “mundinho de Deadpool”, os heróis mantêm suas principais características.

Quando Wade forma um trio, seus parceiros são bem retratados e agem exatamente como o esperado, o que deixa Deadpool ainda mais à vontade no papel de agente do caos e levam o encadernado para rumos cada vez mais absurdos e imprevisíveis – o que é realmente ótimo nos quadrinhos de super-heróis de hoje.

A coletânea é a prova de que o anti-herói deverá dar certo como integrante do Universo Cinematográfico Marvel, após a compra da Fox pela Disney.

Deadpool – Três Homens em Conflito
Roteiro: Gerry Duggan e Brian Posehn
Arte: Scott Koblish e Declan Shalvey (desenhos), Val Staples e Jordie Bellaire (cores)
Editora:
Panini
Capa: dura
Lombada: quadrada
Número de páginas: 164
Lançamento:
julho de 2017

Comentários
Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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