Tragédia cósmica, A Saga da Fênix Negra amadurece história dos X-Men

Preparada em gibis publicados entre 1976 e 1977 e 1979 e 1980, A Saga da Fênix Negra se tornou um dos maiores arcos estrelados pelos X-Men, assim como uma das histórias mais emblemáticas da Marvel Comics como um todo. Sob o comando do roteirista Chris Claremont e do ilustrador John Byrne, a narrativa põe os pupilos de Charles Xavier diante da ameaça de uma entidade cósmica de poder ilimitado que se apossa de Jean Grey. Entre seus marcos, está o fato de romper paradigmas e estereótipos do grupo, em especial da telecinética.

A saga tem sua base lançada de Uncanny X-Men #101 até Uncanny X-Men #108, quando os mutantes estão voltando de uma missão no espaço e Jean Grey se sacrifica para salvar o time de super-heróis da Marvel, ficando exposta à onda de radiação solar chamada da Fênix Negra. Meses depois, os X-Men batalham contra Magneto e são supostamente mortos pelo vilão, com exceção de Fera e Grey. É então que o Professor X decide abandonar a Terra para viver com a imperatriz shiar Lilandra. Enquanto isso, a desolada Jean Grey viaja para a Europa.

Jean Grey perde o controle de seus poderes sob a influência da Fênix Negra. (Foto: Marvel)

Então a aventura é retomada entre Uncanny X-Men #129 e Uncanny X-Men #137, quando dos X-Men já estão de volta, mas Jean Grey sofre com visões de outra vida como a Rainha Negra, companheira de Jason Wyngarde – vulgo Mestre Mental, membro do Clube do Inferno. Acontece que o vilão vem plantando memórias falsas na antiga Garota Marvel, despertando seus instintos mais selvagens para usá-la como nova arma do grupo de malvados. Ele só não desconfiava que Jean Grey agora conta com poderes além de qualquer limite.

No decorrer da trama, os X-Men investigam o surgimento de duas novas mutantes: Kitty Pryde e Cristal. Na busca por Pryde, que faz sua primeira aparição, os heróis mutantes entram em rota de colisão com o Clube do Inferno, que tenta recrutar a jovem com a habilidade de atravessar paredes. É aí que as coisas saem do controle. Dividida entre seu amor por Ciclope e os prazeres oferecidos por Wyngarde, Jean Grey deixa fluir a energia da Fênix Negra, causando uma onda de destruição por onde passa. Sua ameaça preocupa até mesmo a vida alienígena.

Ciclope é levado ao extremo de suas capacidades na tentativa de salvar sua amada. (Foto: Marvel)

Com Uatu, o vigia como testemunha, Jean Grey, Ciclope, Wolverine, Colossus, Tempestade, Fera, Noturno, Anjo e Xavier são levados para prestar contas/enfrentar a justiça de um conselho combinado entre os impérios kree, skrull e shiar. O clássico tem o seu ápice no combate avassalador entre os X-Men e a Guarda Imperial Shiar, composta pelo Gladiador, Warstar, Manta, Hussar, Oráculo, Tremor, Esmagador, Flamejante, Tempest e Nightside. O final, claro, tem os heróis no limite e Jean Grey disposta a fazer o maior dos sacrifícios.

De atmosfera madura e conclusão trágica, A Saga da Fênix Negra se faz um clássico por trazer uma aventura de grandes proporções, na qual podemos ver o amadurecimento dos X-Men, a perda de liderança do Professor Xavier para Ciclope e a liberdade para abordar os lados mais íntimos de personagens femininas.

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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