Titans: ida a Gotham renova os ares da 3ª temporada

Carlos Bazela
Titans: ida à Gotham renova os ares da 3ª temporada

Distribuída fora dos EUA pela Netflix, a 3ª temporada de Titans enfim está disponível no streaming. Como adiantamos em nossas primeiras impressões (leia aqui) os super-heróis da DC, que se tornaram celebridades em São Francisco, migraram para Gotham para resolver uma questão de família: a morte de Jason Todd (Curran Walters, de Garota Conhece o Mundo), o segundo Robin, pelas mãos – e pé de cabra – do Coringa, que é mostrado apenas de relance.

Com o peso da culpa por terem praticamente o expulsado da Torre Titã na temporada anterior, o grupo liderado pelo Asa Noturna (Brenton Thwaites, de Malévola) precisa encarar as consequências disso. Principalmente, porque Todd não está tão morto quanto se imaginava e, agora, anda aterrorizando os criminosos e seus antigos companheiros como o psicótico vigilante Capuz Vermelho.

Enquanto isso, Bruce Wayne (Iain Glen, de Game of Thrones) está desaparecido após praticar o que todos achariam impossível: um assassinato. E Estelar (Anna Diop, de Nós) encontra sua irmã perdida, Estrela Negra (Damaris Lewis, de Infiltrado na Klan) e acaba descobrindo outros segredos que envolvem o trono do planeta Tamaran, além do assassinato de seus pais.

Para completar, Jonathan Crane (Vincent Kartheiser, de The OA), o Espantalho, tem seus próprios planos para a cidade e não parece intimidado pela presença dos heróis. Muito menos pelo Departamento de Polícia de Gotham City, chefiado pela Comissária Bárbara Gordon (Savannah Welch, de Boyhood: Da Infância à Juventude).

Melhorou, mas ainda falta

Com o escalar da história, o 3º ano mostra que Titans aprendeu a levar a trama principal e as paralelas sem se perder tanto, como aconteceu nos dois primeiros anos. O elenco, mais à vontade em seus papéis, com destaque para Diop e Ryan Potter (Acampamento Jurássico), o Mutano, que consegue desenvolver melhor as jornadas de cada personagem. Aliás, sem tantos flashbacks de origem para contextualizar quem é quem, fica mais fácil do espectador se deixar levar pelas reviravoltas e curtir a trama.

O figurino é outro ponto no qual a produção merece os parabéns. Os trajes equilibram bem fidelidade às HQs, como Capuz e Asa Noturna, com adaptações bem-feitas para fazer sentido em tela, caso do figurino da Estelar.

O fato de se ambientar em Gotham, uma cidade repleta de personagens queridos por boa parte dos leitores de quadrinhos, ainda instiga a curiosidade para ver quem mais pode aparecer por ali. Uma expectativa que é atendida pela presença de Bárbara Gordon e Tim Drake, que renovaram os ares do show.

Porém, negar que Titans tem muitos problemas a serem resolvidos seria injusto. Efeitos especiais defasados, buracos no roteiro e o mal aproveitamento de Wayne e do Espantalho, este com uma concepção que incomoda quem conheceu suas outras encarnações – dos gibis ao jogo Arkham Knight – mostram que a série carece de refinamento para ganhar o coração dos fãs.

Falta também profundidade para ser recebida como uma produção adulta, parte a qual a série cobre com alguma cena de nudez e palavrões em profusão.

Titãs contemporâneos

Por falar nos fãs, talvez sejam os mais fervorosos admiradores de Asa Noturna e sua trupe o obstáculo mais difícil que a série deve superar. Da mesma forma que Titans fica devendo uma direção mais marcante e um roteiro mais coeso em certas passagens, que acabou desperdiçando o Exterminador no ano 2, é preciso aceitar que as histórias incríveis escritas por Marv Wolfman na década de 1980 não encontrarão a tela da forma que fizeram com o papel. Não sem muita adaptação, pelo menos.

Nesse ponto, arcos mais recentes, como o escrito por Dan Abnett, publicado aqui pela Panini no início do Renascimento do Universo DC, estão bem alinhados com que é mostrado na série. São narrativas que, mesmo longe da visão de Wolfman, trazem qualidade excelente e que podem agradar e muito em um seriado. Desde que bem conduzidas.

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