The Walking Dead: Midseason de “Guerra Total” vai do tédio às lágrimas

Com a adaptação da saga de HQs “Guerra Total” (“Guerra Total”, título original), a 8ª temporada de The Walking Dead prometia se reinventar por completo com episódios carregados de ação numa trama que, simultaneamente, reuniria todos os núcleos da série inspirada nos quadrinhos criados pelo roteirista Robert Kirkman e pelo ilustrador Tony Moore. Porém, não foi isso que aconteceu nos primeiros oito capítulos que concluíram a midseason da atração exibida pelo canal norte-americano AMC – no Brasil, a transmissão é realizada pelo Canal FOX.

Embora realmente tenha mudado o formato de sua narrativa, o programa de zumbis mais popular da TV não conseguiu escapar de um velho problema: a sensação de que a história não progride. Mesmo com Negan (Jeffrey Dean Morgan, de Supernatural) e os Salvadores encurralados em seu Santuário por uma horda de mortos-vivos – graças a um plano mirabolante de orquestrado pela aliança entre as comunidades de Alexandria, Hilltop e The Kingdom (“O Reino”) –, os protagonistas foram incapazes de equilibrar a balança de poder, que ainda pende para o lado do portador de Lucille.

Algo se perdeu na guerra de Rick contra Negan. (Foto: Jackson Lee Davis/AMC)

Apostando numa nova fórmula, TWD injetou incessantes doses de adrenalina nos capítulos que compõem a metade de seu oitavo ano na televisão. Sendo assim, diferente do ritmo arrastado de anos anteriores, a nova fase do seriado concentrou-se em micro-ações estreladas por Rick (Andrew Lincoln, de Strike Back), Daryl (Norman Reedus, de Blade 2 – O Caçador de Vampiros), Padre Gabriel (Seth Gilliam, de Tropas Estelares), Carl (Chandler Riggs, de Pacto Maligno), Ezekiel (Khary Payton, de Os Jovens Titãs em Ação!) e Maggie (Lauren Cohan, de Supernatural).

Contudo, essa estratégia rapidamente se mostrou equivocada, uma vez que os episódios destacam missões das quais o público pouco consegue compreender o propósito – já que em nenhum momento os fãs são informados sobre os exatos planos dos líderes Rick, Ezekiel e Maggie para contra-atacar a gangue de Negan. Numa experiência frustrante para quem desejava conferir algum progresso na Guerra Total, a 8ª temporada de The Walking Dead repete o erro de apenas avançar no enredo durante a midseason finale, que foi exibida no último domingo (11/12).

Confirmando todas as teorias, Carl Grimes termina a midseason com uma mordida de zumbi. (Foto: Gene Page/AMC)

Deste modo, enquanto personagens como Daryl Dixon, Carol Peletier e Morgan Jones (Lennie James, de Jericho) pareceram ficar sem função na narrativa, Padre Gabriel, Rei Ezekiel e Paul ‘Jesus’ Rovia (Tom Payne, de O Médico) surgiram em ascensão, tendo suas personalidades exploradas com mais profundidade e ganhando mais peso na trama. Apesar de nada disso ter sido suficiente para essa do rótulo de pior início de temporada de The Walking Dead, o episódio How It’s Gotta Be veio para mostrar que a série ainda pode surpreender, haja vista a morte anunciada de Carl – uma surpresa apesar de todos os indícios que apontavam para isso.

Explicando o flashfoward da première, a tragédia insinua um caminho imprevisível para o seriado.

Afinal, alguém pode imaginar qual a reação de Rick após a perda do filho?

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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