Swamp Thing: série sobrenatural aborda mal no coração do homem

Na expansão do catálogo do serviço de streaming DC Universe – junto a Titans e Doom Patrol –, Swamp Thing estreou em maio mostrando que séries de super-heróis pode, sim, explorar gêneros como suspense e terror. Mas, mesmo com notável qualidade e aceitação do público, o lançamento do programa foi marcado por um problema: seu cancelamento pela DC Comics. Com sua 1ª temporada concluída, o título se mantém longe dos quadrinhos, apesar de nos transmitir o sentimento dos gibis: o coração partido pelo destino do Monstro do Pântano.

A atração traz a história de Abby Arcane (Crystal Reed, de Gotham), pesquisadora do Centro de Controle de Doenças, que, ao investigar uma misteriosa gripe em sua cidade natal, a pacata Marais, descobre o surgimento de uma criatura – que outrora foi o biólogo Alec Holland (Andy Bean, de Here and Now).  Com 10 episódios de 50 minutos, Swamp Thing conta uma saga dramátiva escrita por Gary Dauberman (It: A Coisa) e Mark Verheiden (Demolidor), em que se destaca o terror do produtor executivo James Wan (Invocação do Mal).

Abby e Alec tentam resolver os mistérios de Marais e ficar juntos. (Foto: Fred Norris/Warner)

Enquanto lamentamos pelos desencontros de Abby e Alec, a obra explora a corrupção que se espalha por Marais, que em grande parte é comandada pelo empresário Avery Sunderland (Will Patton, de Falling Skies), envolvido em despejos de produtos químicos no pântano, encomendas de assassinatos e chantagens. Desafiando a sanidade de sua esposa, Maria (Virginia Madsen, de Evocando Espíritos), Sunderland mantém caso com a xerife Lucilia Cable (Jennifer Beals, de Flashdance: Em Ritmo de Embalo), criada especialmente para o seriado.

Como nos gibis do roteirista Len Wein e do ilustrador Bernie Wrightson em 1973, Swamp Thing discute sobre como a ambição do homem em tirar lucro da natureza pode ser perigosa para sua existência. Atraído pelas propriedades únicas do brejo de Marais, o biogeneticista Jason Woodrue (Kevin Durand, de Lost) propõe experimentos científicos para curar sua mulher, Caroline (Selena Anduze, de Bosch), do Alzheimer. Porém, ele descobre que a obsessão pode dar origem aos monstros Demônio Azul (Ian Ziering, de Barrados no Baile) e Homem-Florônico.

Com pouco tempo em cena, o casal demonstra química e nos faz torcer por eles. (Foto: Fred Norris/Warner)

Se na cidade vemos o mal gerado pelo próprio homem, no pântano é onde se esconde a “Escuridão”, motivo pelo qual o Monstro do Pântano decide ficar para investigar e a deixa para a introdução de personagens do universo místico da DC, como Madame Xanadu (Jeryl Prescott, de The Walking Dead) e Vingador Fantasma (Macon Blair, de Sala Verde). Nesse clima sobrenatural, a produção prepara bons sustos para o telespectador, seja com “jumpscares” (mudanças abruptas de imagem e som) e cenas de violência extrema.

No entanto, o que mais assusta em Swamp Thing é saber que essa série jamais terá uma continuação.

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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