O Sangue de Zeus é tragédia grega em animação

Tragédia grega. O gênero encenado nos teatros da Grécia Antiga, com histórias que geralmente terminavam mal cabe bem para descrever O Sangue de Zeus, a nova série de animação, que está disponível na Netflix desde 27 de outubro.

Na trama, pessoas possuídas estão atacando as polis por todo território. E esses demônios têm origem em uma antiga guerra travada por Zeus e outros deuses do Olimpo contra os Gigantes. Estes, por sua vez vieram do sangue do último Titã morto pelas divindades e herdaram seu desejo de destruir o rei e, basicamente, todo o panteão grego de deuses.

A série se concentra em Heron, o protagonista com sangue de Zeus. (Foto: Netflix)

No meio disso, conhecemos Heron, jovem que vive com a mãe, Electra, próximo a um povoado. Lá, eles são hostilizados, pois acreditam que as nuvens escuras que pairam sobre a cidade tem a ver com “a mulher e seu filho bastardo”, como eles se referem. O que vem à tona é que o rapaz é, sim, um filho bastardo, mas de Zeus, o rei dos deuses. Heron é fruto de um dos muitos casos do deus grego e foi colocado lá com sua mãe para fugir da ira de Hera, a esposa de Zeus, que está decidida a destruir a rival e seu filho.

Daí em diante, começa um jogo doentio para manipular humanos, deuses e demônios e colocá-los em guerra. Tudo para satisfazer a vingança de Hera pelas inúmeras traições do marido.

Animação impecável

Indicada para maiores de 18 anos, O Sangue de Zeus faz jus ao nome. Mortes horríveis com vísceras expostas permeiam seus oito episódios em uma animação impecável, que lembra muito as feitas pela DC. Aliás, Jason O’Mara, que faz a voz do Batman nos longas animados mais recentes, como O Filho do Batman, empresta seu talento para Zeus.

A novidade da Netflix não só capricha no visual, como no drama. Com batalhas sangrentas e guerras de proporções gigantescas motivadas por ciúme, inveja e cobiça. Tanto entre humanos, como do lado dos deuses. E, antes que alguém mais letrado em mitologia grega possa implicar com a forma com que os fatos se desenrolam, logo no começo da série já temos um aviso de que muitas histórias do período supostamente não teriam sido escritas e essa é uma delas.

Voltada ao público adulto, obra mostra podridão entre os olimpianos. (Foto: Netflix)

Todo esse cuidado vem da quantidade de nomes com origem grega que assinam a obra. Começando pelos criadores Charley e Vlas Parlapanides, que trazem no currículo outra epopeia mitológica: Imortais, com Henry Cavill no elenco.

É bom, então?

O Sangue de Zeus traz uma boa trama, refinamento estético na animação e um excelente elenco de vozes. Contudo, o ritmo é um pouco arrastado e a sensação é de que a história apresenta flashbacks em excesso para aumentar ainda mais o drama com outras visões sobre fatos já contados. Mas, não seria uma tragédia grega de outro modo, certo?

Sendo assim, a série, cuja primeira temporada está completa no serviço de streaming é um ótimo entretenimento para fãs de mitologia grega e de animações adultas.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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