Marvel “abandona” videogames e aposta em jogos mobile

Nos últimos anos, a Marvel tem levado vantagem sobre a concorrência nos cinemas. Contudo, é a DC Comics que vem aproveitando melhor os seus personagens nos videogames, uma vez que Injustice: Gods Among Us (NetherRealm Studios, 2013) e a série Batman: Arkham tornaram-se referências na indústria e sucesso de público. Então, não seria correto presumir que o conglomerado que tem Os Vingadores como carro-chefe tentaria ampliar seu domínio para os principais consoles? Até agora, não. Embora tenha adaptado sua remessa inicial de filmes para as plataformas atuais, a Marvel teve a falta de qualidade como empecilho e, a partir daí, adotou cautela para lançar novos produtos. Por outro lado, tablets e celulares começaram a ser explorados.

De 2012 (quando Os Super-Heróis Mais Poderosos da Terra estrearam nas telonas) para cá, Marvel Avengers: Battle for Earth (Ubisoft, 2012), Lego Marvel Super Heroes (TT Games, 2013) e Disney Infinity: Marvel Super Heroes (Disney Interactive Studios, 2014) chegaram às prateleiras, disponíveis para as recentes gerações de videogames. Porém, entre altos e baixos, destaca-se o título “protegido” pela marca Lego. Certamente por conta do patamar alcançado e do alto nível de exigência dos fãs, a empresa decidiu abortar projetos. Segundo o site GamesRadar+, a Electronic Arts (EA Games) produzia um jogo de luta em 2007, mas foi cancelado.

Enquanto vê o início das vendas de Batman: Arkham Knight (da Rocksteady Studios, para Playstation 4 e Xbox One) ser marcado no calendário da maioria dos gamers, o empreendimento que detém os direitos de Homem de Ferro, Capitão América, Thor e companhia se prepara para lançar Lego Marvel’s Avengers (TT Games) também neste ano, apoiando-se na simpática dinâmica dos bloquinhos de montar. Com proposta mais ambiciosa, uma versão dos Vingadores em primeira pessoa circula pelo YouTube. Aparentemente, a Marvel desistiu da obra. Veja a demonstração no vídeo abaixo:

Seguindo numa via inversa em relação aos aparelhos móveis, o conjunto multimidiático parece à vontade para realizar parcerias e disponibilizar jogos nas lojas de aplicativos. Apesar de, a princípio, seguir a fórmula de games oficiais para seus blockbusters (tática defasada), a Marvel passou a explorar possibilidades e públicos diferentes, com produtos exclusivos, mantendo-se competitiva e num ritmo constante de evolução.

Compatível com os sistemas Android, iOS e Windows 8 (como boa parte dos apps), Marvel: Avengers Alliance (Playdom, 2012) é baseado em combates por turnos, oferece muitos personagens, modo Jogador VS. Jogador (PVP) e itens para comprar. Apresentado como um jogo de cartas, Marvel War of Heroes (Mobage – atual DeNA –, 2012) decepciona. Enquanto os cards são tratados como detalhes, o jogador comanda pouquíssimos elementos e bastam alguns toques na tela para vencer os inimigos.

Elogiado pelos usuários, Guardians of the Galaxy: The Universal Weapon (Disney Interactive Media Group, de 2014), ao contrário dos outros aplicativos, tem download cobrado, mas dispõe do bom humor do time de Peter Quill e coloca uma diversidade de heróis e vilões para recrutamento. Ainda no ano passado, a empresa indicou ter abandonado o comportamento reticente, pois, uma plataforma de lutas nos moldes tradicionais enfim saiu do papel, com a estreia de Marvel Contest of Champions (Kabam). Atualizado com frequência, o título traz uma série de eventos premiados, PVP e ganha mais lutadores com o passar do tempo.

É possível recriar o confronto entre a Hulkbuster e o Hulk, em Torneio dos Campeões.

É possível recriar o confronto entre a Hulkbuster e o Hulk, em Torneio dos Campeões. (Foto: Marvel)

Na conclusão da chamada Fase 2, retornando aos cinemas com Vingadores: Era de Ultron e Homem-Formiga (o longa será lançado no dia 16/07), a Marvel aproveitou 2015 para surgir com os games Mighty Heroes (DeNA) e Future Fight (Netmarble Games). Entre as duas obras, a produção da Netmarble é a mais promissora. Exibindo personagens fiéis às versões das telonas, o RPG tem gráficos admiráveis, fácil jogabilidade e vasta lista de trajes e aprimoramentos para aquisição ou conquista durante o progresso nos níveis.

Considerando dados do mercado brasileiro (apontado como o 4º maior do mundo, em 2012, pela consultoria PwCPricewaterhouseCoopers), 82,8% dos gamers usam celulares para acessar jogos eletrônicos e 37,4% recorrem aos tablets, segundo a pesquisa Game Brasil 2015. Assim, pela relevância do País nesta área, o Brasil pode servir para ilustrar algumas tendências desta indústria. Deste modo, focar nos populares dispositivos móveis se torna lucrativo, pois, devido às suas limitações (em comparação aos consoles), a criação de games demanda menor investimento.

Marvel Future Fight tem potencial para várias horas de jogo.

Marvel Future Fight tem potencial para várias horas de diversão. (Foto: Marvel)

Portanto, é provável que a Marvel continue apostando no mobile (segmento capaz de faturar com a venda de apps e conteúdos extras), enquanto não julgar ter um produto apto para competir pela preferência nos videogames modernos.

Comentários
Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Comentários estão fechados.