M-8: Quando a Morte Socorre a Vida reflete sobre racismo no Brasil

M-8: Quando a Morte Socorre a Vida reflete sobre racismo no Brasil

O debate antirracista está em nossos ciclos sociais e, bem recentemente, pôde ser visto também nos programas de TV. No cinema, a pauta tem ganhado espaço, tanto no cenário internacional quanto entre as produções brasileiras, como é o caso de M-8: Quando a Morte Socorre a Vida (2019), obra lançada pela Paris Filmes e que já chegou ao catálogo da Netflix.

Com apenas 1h24 de duração, o longa dirigido por Jeferson De (Bróder e Correndo Atrás) acompanha Maurício (Juan Paiva, de Malhação: Viva a Diferença), um jovem calouro de uma universidade federal de medicina que se depara com as diversas faces do racismo estrutural em sua instituição de ensino. De origem humilde, o protagonista logo sente na pele o preconceito de um ambiente tido como elitista contra alguém que vem da favela.

A dor do outro poderia ser sua

Constantemente confundido com funcionários da universidade pelos colegas, Maurício se choca quando, na primeira aula de anatomia, encontra o cadáver M-8, que servirá de estudo para sua turma. Acontece que o corpo em questão é de um homem negro, do qual ninguém parece se importar de onde veio e qual a sua história. No caminho de volta para casa, o rapaz também observa um grupo de mães que procuram por seus filhos – a maioria negros.

Ao ligar os pontos, Maurício percebe que ali como objeto de estudo está alguém que poderia ser ele mesmo, ou alguma pessoa próxima a ele. Próxima de alguém, como as mães desesperadas. É aí que o personagem decide investigar como esse e outros cadáveres foram parar na universidade e por que a maioria é de indivíduos negros. O descaso com o próximo e a conformidade com a desigualdade racial vão sendo escancaradas de forma brutal.

Preconceito nosso de cada dia

Além disso, o jovem sofre com o racismo estrutural (práticas históricas e culturais que discriminam grupos sociais ou étnicos). Seja pelo estereótipo de desfavorecido com que seus colegas o veem, pela abordagem violenta da polícia e no julgamento geral quando ele se envolve com Suzana (Giulia Gayoso, de Tempo de Amar), menina branca e de família abastada, Maurício sente que todos parecem querer determinar seu lugar e condições de vida.

M-8: Quando a Morte Socorre a Vida é um filme intenso e verdadeiro, que recria o dia a dia de cidadãos que merecem tratamento mais digno da sociedade. Como bônus, a obra conta com participações de atores negros ilustres, como Lázaro Ramos, Zezé Motta, Aílton Graça e o saudoso João Acaiabe (falecido em 1º de abril deste ano vítima da Covid-19).

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