Entre superproduções estadunidenses e até um favorito brasileiro, um épico japonês tem se destacado entre os indicados ao Oscar 2026: Kokuho – O Preço da Perfeição. Dirigido por Lee Sang-il, o longa – que chega aos cinemas hoje (5) – leva a essência do Kabuki para as telas, traçado pelo caminho do refúgio, ambição e perfeição.
Sobre Kokuho
Distribuído no Brasil pela Sato Company e a Imovision, Kokuho narra a trajetória de Kikuo Tachibana (Ryo Yoshizawa), um jovem, de 14 anos, que testemunha a trágica morte de seu pai, líder de uma gangue yakuza, em Nagasaki. Em um Japão pós-guerra, precisamente em 1964, ele se muda para Osaka após ser confiado aos cuidados de Hanai Hanjiro II (Ken Watanabe), um famoso ator de Kabuki.
Impressionado pelo grande talento do adolescente, Hanjiro o introduz em um mundo rígido, de suprema disciplina e com uma ampla tensão que caminha pela linha tênue entre a linhagem e o mérito. Após as mulheres serem proibidas no século XVII, o Kabuki passou a ser único e exclusivamente dos homens, com o papel feminino sendo interpretado por um onnagata (nome dado ao homem que dá vida a uma mulher no teatro japonês).
Nesse sentido, em Osaka, Kikuo cria um laço com o filho biológico de Hanjiro, Shunsuke (Ryusei Yokohama), que demonstra pouco apreço e paixão pela arte que consagrou o próprio pai. No entanto, a convivência entrelaçada às exigências resulta em um misto de amizade e rivalidade que durará por muitos anos.

Espetáculo visual
Com quase três horas de duração, o filme é um retrato vívido da arte tradicional japonesa, que combina teatro, dança e música. Sobretudo, a produção é baseada no romance homônimo de Shuichi Yoshida, de 2018, e mostra como um acolhimento familiar pode ressignificar as dores do passado. Ao mesmo tempo, sugere que a busca pelo reconhecimento artístico pode beirar a autodestruição, e até refletir em todos que estão ao redor.
Apesar da vocação, Kikuo recorre a táticas questionáveis para manter o seu status dentro da seleta comunidade do Kabuki. Porém, quando Hanjiro adoece, a sucessão e a busca pela perfeição passam a ser o centro da história. Como resultado, o diretor não se pressa em abordar os eventos de 50 anos, deixando o filme envolvente do começo ao fim.
A perfeição estética do Kabuki não se perde em nenhum momento do filme. Primordialmente, parte de figurinos deslumbrantes, atravessa maquiagens formidáveis e chega a cenários orientais perfeitos. Embora não se fale sobre os eventos fora dos palcos, o diretor retrata as mudanças do tempo através de um impecável design de produção.

Bilheterias e Oscar
Não foi à toa que se tornou o live-action de maior bilheteria do Japão, arrecadando mais de 670 milhões de reais em oito meses. Além do trio de protagonistas, o elenco reúne outros nomes conhecidos do cinema japonês, como Min Tanaka, Takahiro Miura, Shinobu Terajima e Keitatsu Koshiyama.
Desde a estreia mundial na Quinzena dos Realizadores do 78º Festival de Cannes, o longa reúne diversas indicações aos principais prêmios asiáticos. Em suma, uma preparação de quase um ano e meio atrelado ao talento dos atores. Entre os mais importantes do mundo, o Oscar: Kokuho foi indicado a “Melhor Cabelo e Maquiagem”. Trata-se não apenas de uma produção muito bem elaborada, mas de um verdadeiro “tesouro nacional”, tal qual o significado do próprio título da obra.

