Justiceiro: Uma Última Morte, o especial do Disney+, estreou como uma sequência da história de Frank Castle após sua última aparição no final da 1ª temporada de Demolidor: Renascido.
A produção traz elementos do começo da saga de Jon Bernthal como o personagem, desde sua jornada como o anti-herói na Netflix, e os mistura com a fase que Frank vive agora. Ou seja, aparentemente, depois de sua trilha de sangue e vingança ter chegado.
E agora?
Talvez a máxima que rege a nova aventura do Justiceiro seja o célebre pensamento do filósofo alemão Schopenhauer sobre a ânsia de ter e o tédio de possuir.
Após concluir sua vingança contra aqueles que mataram sua família, Frank se mostra perdido com o que fazer em seguida. Afinal, como continuar a partir do momento em que a missão que o faz levantar da cama todos os dias está concluída? E o que um homem que realizou atos brutais e viveu apenas da violência a vida inteira pode fazer a partir de agora?
O especial começa inserindo Frank em um cenário de guerra urbana, com diversos crimes acontecendo ao seu redor. Contudo, o outrora sanguinário Justiceiro parece não se importar com os delitos e abusos acontecendo à sua volta, por estar passando por seus próprios conflitos internos.
Além disso, as consequências do caminho que Frank seguiu vêm à tona quando o anti-herói precisa lidar com os fantasmas que assombram seu passado. Seja como pai, ex-fuzileiro ou como Justiceiro, vemos o estresse pós-traumático de Frank o colocando em uma posição de fragilidade inédita até então, o que revela o cuidado com que esta história pretende ser contada.
Justiça, não vingança
Ao fim de seu conflito pessoal, Frank entende que a violência o seguiu em quase todas as personas que já assumiu, com exceção de uma, justamente àquela que já não está mais presente em sua vida para mostrar um caminho diferente a ser seguido. Com isso, Castle encontra em seu senso de justiça brutal outrora motivação para combater quem abusa daqueles que não podem se defender.
Por fim, Justiceiro: Uma Última Morte trazia muitas expectativas sobre o personagem, e muitas perguntas também, como o que Frank fez após os eventos de Demolidor: Renascido e, principalmente, como o ele se conecta à história de Homem-Aranha: Um Novo Dia (sua próxima aparição confirmada).
É justo dizer que o especial responde a poucas dessas perguntas, mas por um motivo nobre: dar uma profundidade pouca antes vista a um personagem que já está na ativa há quase dez anos. A narrativa se encerra fazendo com que o público anseie por mais.

