Divertido e imperfeito, Oswaldo tem nova temporada no Cartoon Network

Após uma primeira temporada de apenas 13 episódios, o pinguim pré-adolescente Oswaldo volta ao Cartoon Network para mais 39 episódios inéditos e o Boletim Nerd teve a oportunidade de conferir os primeiros quatro capítulos dessa segunda temporada da melhor maneira possível: na telona, durante o Cine Cartoon, em evento especial que rolou em São Paulo (SP).

De cara, já podemos ver que, como um bom pinguim em uma cidade tropical, Oswaldo continua deslocado em relação aos seus amigos. Mas, isso nada tem a ver com o fato dele ser a única ave no meio dos humanos e, sim, por estar sempre imerso no seu mundo próprio de fantasia, que é capaz de transformar um dia simples preso em um congestionamento com os pais numa grande aventura.

Animação nacional, Oswaldo fala com crianças de todas as idades. (Foto: Cartoon Network)

É justamente esse mundo à parte que torna Oswaldo tão humano. Se nos divertimos com a imaginação e a capacidade do garoto de criar sua própria realidade em alguns episódios, em outros ficamos a ponto de perder a paciência com ele e seu jeito egocêntrico, como no primeiro, em que o protagonista dá atenção a outro menino somente para brincar com seus brinquedos.

“O Oswaldo não é um personagem perfeito. Ele não é o cara mais legal do mundo. No episódio da pracinha, ele é quase monstruoso. Mas a gente permite que ele seja meio egocêntrico e ganha simpatia por isso”, comenta Pedro Eboli, criador da série, em um bate-papo logo depois da sessão.

Espelho do mundo irreal

Embora seja pensado para crianças, Oswaldo tem diversos momentos que são capazes de manter os pais entretidos na frente da TV, fazendo isso com ótimas caricaturas do cotidiano, como no episódio no qual ele vai ao trabalho do pai, uma agência de publicidade e ganha um emprego e carreira meteórica – chegando a chefiar e a demitir seu próprio pai. As lições são aprendidas e a mensagem da parceria entre pai e filho é passada com sucesso.

Por falar em mensagem, o episódio do engarrafamento, no qual Oswaldo vai entrando nos carros e encontrando seus amigos e explorando o relacionamento deles com suas famílias. Ao entrar na van onde está Leia, sua mãe e uma “tia”, fica claro pela concepção da cena e o tom de voz da menina que a moça é namorada da mãe dela, embora nada seja dito ou mostrado explicitamente.

Após a sessão de Oswaldo, entrevistamos o criador da série Pedro Eboli (ao centro).

“Gostamos muito desse momento. A gente ficou feliz em expandir esse universo do Oswaldo. É muito importante ter essa representatividade e o Cartoon sempre foi um dos pioneiros nesse tipo de coisa. Vamos ver isso na ótica da criança e normalizar certas coisas, que já deveriam ser normalizadas há muito, muito tempo”, explica Eboli.

Ainda sobre representatividade, a forma como Oswaldo trabalha a sensação de deslocamento se faz um ponto forte, elemento relacionado à infância do criador. “Eu cresci no Rio de Janeiro, uma cidade com cultura de praia e academia e eu gostava de ficar em casa jogando videogame e RPG. Não curtia pegar sol. Então é a metáfora perfeita. O quanto um pinguim se sente deslocado no Rio de Janeiro, embora já combinamos que Oswaldo não será tratado como um pinguim na série”, revela.

Pedro Eboli exalta a importância das experiências vividas na infância. “Tive uma infância super feliz, tinha amigos que gostavam das mesmas coisas que eu com quem falo até hoje. Meus pais estavam do meu lado, me apoiavam nas minhas esquisitices e com o Oswaldo é igual. Até o Medeiros, que é o bully ali, é um personagem com quem ele conversa”, conta. Desse jeito, Oswaldo mostra-se um programa divertido e atrativo para todas as crianças. Até aquelas que já não são chamadas de crianças faz tempo.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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