CCXP 2019: HBO apoia diversidade com Todxs Nós

A HBO aproveitou o clima diverso e inclusivo que permeia a CCXP 2019 para apresentar um painel sobre Todxs Nós, nova produção nacional que abordará o comportamento das pessoas em suas diversas formas, abrindo espaço para discussões sobre identidade de gênero e pansexualidade, bem como situações como preconceito e assédio.

Na trama revelada pelo trailer – mostrado pela primeira vez no evento –, Rafa (Clara Gallo) chega para morar com seu primo Vini (Kelner Macêdo) em São Paulo no apartamento que ele divide com a amiga Maya (Julianna Gerais), porque seu pai não aceita sua sexualidade não-binária. Daí em diante, acompanhamos as desventuras do trio enquanto eles revelam mais de si e desconstroem ideias pré-estabelecidas uns dos outros.

Todxs Nós explora a realidade de muitos jovens nos dias de hoje. (Foto: HBO)

Para quem está esperando uma série pesada, focada em retratar o sofrimento das pessoas da comunidade LGBTQAP+, já adiantamos que esse não é o ponto do seriado, cuja temporada de estreia – em 2020 – deverá ter 8 episódios. Todxs Nós é uma comédia dramática. Ela não deixará temas sérios passarem batido, mas tem o objetivo de dar visibilidade às pessoas, mostrando principalmente que é possível ser feliz sem se encaixar em padrões estabelecidos pela sociedade.

“Hoje o personagem LGBT é visto como muito sofrido nas produções nacionais. Mas a gente vive, não só sofre. É isso que a gente quer mostrar, A gente quer construir um novo imaginário para essas pessoas. Um que elas dão certo”, comenta Kelner Macêdo.

O desafio do pronome neutro

O nome da série se pronuncia “Todis” – assim mesmo, com “i”. O uso da letra, por incrível que pareça reforça a proposta da série, uma vez que “Todos” – regras de língua portuguesa à parte – remete a um coletivo masculino; “Todas” a um feminino e “Todes” para pessoas não-binárias.

“Essa coisa do pronome neutro é muito foda”, comenta Gallo, que interpreta Rafa. “Pra usar ele, a gente precisa parar pra pensar , com isso, cai numa reflexão sobre a sociedade como um todo”, explica.

Diversidade atrás das câmeras

Para se fazer uma série com esse nível de preocupação com a diversidade, é preciso que a cultura seja construída do zero, principalmente no roteiro. “Nossa sala de roteiristas era muito problematizadora”, brinca a diretora e criadora da atração, Vera Egito. “Tínhamos pessoas com lugar de fala variado, negro, branco, trans, cis… para que tudo estivesse correto para todos, ou melhor todis”.

A regra foi seguida para a equipe de produção, que era a mais diversa possível e, claro, para o elenco. “Um terço do elenco de atores, atrizes e atuantes – termo usado para pessoas não-binárias – é trans”, explica Vera. A diretora ainda esclarece que nos testes não foi especificado se o papel era para um personagem cis ou trans, de modo que há pessoas trans em papéis cis e vice-versa. “Tá tudo misturado”, diz ela.

O time de produção recebeu workshops da Casa Chama, associação cultural de cuidados LGBTQIAP+, que os ajudou a entender a diversidade da forma mais abrangente possível. “A equipe fez uma imersão com eles para entender melhor as questões de gênero e identidade de gênero”, comenta.

Mas não pense que a série abordará exclusivamente questões de gênero. “Comecei a ler muito sobre especismo e colorismo para viver a Maia, fala Julianna Gerais. “Não dá pra negar que sou negra de pele clara. Me ‘embranquecem’ o tempo todo por isso e eu fui ficando confortável nisso”, prossegue ela, que reviu conceitos pela sua personagem negra e vegana.

No mais, Todxs Nós chega com a difícil missão de convidar à reflexão, debatendo preconceitos enquanto faz rir. E, se depender do que foi mostrado na Comic Con Experience 2019, vai conseguir.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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