Batwoman: 1ª temporada acerta com representatividade e drama familiar

Depois de apresentar a nova super-heroína de Gotham City em Elseworlds, o canal The CW decidiu apostar suas fichas na produção de uma série solo de Batwoman, renovando seu repertório que atualmente conta com The Flash, Supergirl, DC’s Legends of Tomorrow e Raio Negro. Sob o comando da showrunner Caroline Dries (The Vampire Diaries), o título investe numa história cheia de dramas familiares e, claro, muita investigação policial.

Ao longo de 20 episódios, acompanhamos a saga de Kate Kane (Ruby Rose, de Orange is the New Black), uma ex-militar que, ao ser afastada das forças armadas estadunidenses por ser homossexual, decide atuar como combatente do crime. A moça chega para suprir a ausência do Batman, uma vez que Bruce Wayne, seu primo, desparecido desde 2015. Porém, isso desagrada da Crows Security, empresa privada que assumiu a defesa de Gotham.

Ruby Rose e Camrus Johnson em cena de Batwoman

Jovens amigos, Kate e Luke tentam dar continuidade ao legado de Bruce e Lucius. (Foto: The CW)

E aí temos o primeiro conflito. Quem comanda a Crows é Jacob Kane (Dougray Scott, de Missão: Impossível 2), o pai de Kate e um dos principais críticos das ações de Batwoman. Aliás, família aqui é um ponto crucial. Acontece que os Kane são marcados por uma tragédia, da qual Kate sobreviveu, sua mãe acabou morta e sua irmã, Beth (Rachel Skarsten, de Mulher Gato), jamais foi encontrada. Só que Beth sobreviveu e se tornou a vilã Alice Vermelha.

Como na série de quadrinhos da dupla Greg Rucka e Scott Kolins, o enredo desta temporada focaliza o embate entre Batwoman e Alice – personagem totalmente inspirada em Alice no País das Maravilhas –, pois ambas vão construindo uma relação de amor e ódio conforme descobrem novos detalhes sobre uma e outra. No meio dessa briga entre irmãs, além da cidade de Gotham, está Jacob, que  tenta cumprir a lei, sempre à caça de Kate e Alice.

Rachel Skarsten como Alice Vermelha em Batwoman

Alice aterroriza Gotham City com sua gangue inspirada no livro de Lewis Carroll. (Foto: Katie Yu/The CW)

Só que Batwoman vai muito além do conflito de heroína e vilã – mesmo que as duas sejam bastante humanizadas, com traumas e anseios bem trabalhados. Como nas publicações da DC Comics, a protagonista defende a causa LGBT, tendo seu relacionamento com a agente Sophie Moore (Meagan Tandy, de Jane by Design) em evidência. Outra personagem homossexual é Julia Pennyworth (Christina Wolfe, de The Royals), filha de Alfred, ex de Kate e espiã britânica.

O valor da obra ainda se estende por figuras como Luke Fox (Camrus Johnson, de O Sol Também é uma Estrela) – o filho de Lucius Fox, da Wayne Enterprises – e Mary Hamilton (Nicole Kang, de You), a meia-irmã de Kate, que lutam contra estereótipos raciais e de gênero. E, desta maneira, Silêncio (Gabriel Mann, de Revenge), Magpie (Rachel Matthews, de A Morte Te Dá Parabéns) e Nocturna (Kayla Ewell, de Roswell, New Mexico) se tornam participações de luxo.

Dona de muito potencial e discurso poderoso, Batwoman foi renovada para sua segunda temporada, mas, infelizmente, lida com a saída de Ruby Rose (depois de contusões e acidentes graves durante as filmagens) e procura uma nova atriz para o papel principal.

Comentários
Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Comentários estão fechados.