Atletas paralímpicos são os heróis brasileiros no documentário Paratodos

Alan Fonteles, Terezinha Guilhermina, Fernando “Cowboy” Ruffino e Susana Schnarndorf são alguns nomes com os quais você talvez não esteja familiarizado, mas, certamente, deveria estar. Afinal, num país onde é muito difícil se tornar esportista e que preza pouco pela acessibilidade, este supertime supera suas respectivas limitações físicas encarando um cotidiano duro e treinamentos sem privilégios para representar o Brasil no cenário do paradesporto mundial. Estreando nesta quinta-feira (23/06), o documentário Paratodos acompanha as conquistas e os dramas de um grupo de atletas dentro e fora das modalidades em que cada um compete.

Dirigida por Marcelo Mesquita, a produção segue quatro equipes paralímpicas em suas jornadas pela classificação para os Jogos Paralímpicos Rio 2016, percorrendo seis países (França, Canadá, Japão, Itália, Catar e Brasil), de 2013 a 2016. Com roteiro de Pepe Siffredi, Paratodos foi idealizado durante as Paralimpíadas de Londres, em 2012, quando Alan Fonteles surpreendeu ao vencer Oscar Pistorius (considerado maior velocista paralímpico do mundo, até então). Empolgado com os índices próximos aos do astro Usain Bolt, Mesquita quis dar a esses indivíduos o crédito merecido. “Como é que isso não é falado?”, questionou o diretor.

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Da esquerda para a direita, a produtora Mariana Ricciardi, Pepe Siffredi, Alan Fonteles, Marcelo Mesquita, Terezinha Guilhermina, Fernando “Cowboy” Ruffino e Susana Schrnardof. (Foto: Henrique Almeida)

Com 110min de duração, o documentário é protagonizado por Alan Fonteles (atletismo), Daniel Dias (natação), Fernando Fernandes (canoagem), e Fernando “Cowboy” Ruffino (canoagem), Johansson Nascimento (atletismo), Ricardinho (futebol de 5), Susana Schrnardof (natação) e Terezinha Guilhermina (atletismo), porém, não se restringe ao esporte. “Nesse filme, sai o atleta e entra o ser humano”, contou Fonteles, que teve uma história de ascensão, queda e reafirmação retratada por em Paratodos. E Marcelo Mesquita completou: “Não é um filme só sobre a questão esportiva, ele transcende o esporte”.

Para imprimir realismo ao título, o cineasta e sua equipe se propuseram a filmar as estrelas do longa em competição. “Foi um negócio meio diferente [ser acompanhado de perto pela câmera], né?”, brincou o cowboy Fernando Ruffino, que ainda revelou que os processos de gravação o ajudaram a desenvolver foco. Por outro lado, para Alan Fonteles, estas filmagens expuseram momentos críticos de sua carreira, mas também o mostraram lutando por uma nova chance. “Não é fácil ter uma câmera em cima de você o tempo todo”, lembrou ele.

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“Não consegui ver o filme na primeira vez. Eu começava a chorar”, contou Susana Schnarndorf. (Foto: Divulgação)

Embora seja comovente, Paratodos visa romper uma visão comum que se tem sobre os portadores de deficiências. “Esporte paralímpico não tem coitadinho. É alto rendimento!”, ressaltou Fonteles, uma vez que o filme explora o universo competitivo com o qual o elenco paralímpico já está ambientado. O discurso foi repetido por Pepe Siffredi, que afirmou: “Com 5min de filme, você vê o quanto eles podem fazer”. Anteriormente uma competidora de triathlon, Susana Schnarndorf não vê diferenças entre categorias. “Corremos atrás de nossos objetivos como qualquer atleta”, disse.

Diante das crises política, econômica, moral e até futebolística pelas quais o Brasil passa, Paratodos inspira ao apresentar lições de coragem, vontade e otimismo, pois, conforme Siffredi, “estamos precisando de bons exemplos”. Qual a mensagem final do documentário? “O deficiente é um herói!”, exclamou Fernando “Cowboy” Ruffino.

Disponível em versões acessíveis (por meio de um aplicativo), Paratodos estreia nesta quinta-feira (23/06) nos cinemas.

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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