A Disney e a Marvel Brasil convidaram o Boletim Nerd para assistir aos dois primeiros episódios da segunda temporada de X-Men ’97, e a boa notícia é que a animação retorna mantendo o altíssimo nível que conquistou os fãs no primeiro ano. Sem depender apenas da nostalgia, a série amplia a mitologia dos X-Men com uma narrativa inédita, equilibrando referências profundas aos quadrinhos com histórias capazes de surpreender até quem conhece esse universo de cor.
Essa ambição fica evidente logo no início do segundo episódio. Em vez da tradicional abertura da série, o icônico logo dos X-Men dá lugar ao da X-Force, uma pequena mudança visual que sintetiza perfeitamente a proposta desta temporada: expandir o universo mutante, apresentar novos grupos e mostrar que a franquia tem muito mais a oferecer do que a equipe clássica.
Um futuro dominado por Apocalipse
O primeiro episódio, Days of Past Future, retoma exatamente o ponto em que a temporada anterior terminou.
No futuro, Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Wolverine e Morfo despertam em uma realidade completamente dominada por Apocalipse. É nesse cenário que Nathan Summers cresce rapidamente, iniciando sua transformação definitiva em Cable.
Inspirada em elementos da HQ As Aventuras de Ciclope e Fênix, a trama mostra Nathan descobrindo que talvez esteja destinado a liderar a resistência daquele futuro devastado. Mesmo distante dos pais, ele começa a compreender o peso de sua missão e demonstra que poderá assumir um papel muito maior do que simplesmente o de viajante do tempo.
Enquanto isso, no presente, Forge segue tentando encontrar uma forma de reunir os X-Men desaparecidos.
Jubileu finalmente ganha o protagonismo
O segundo episódio, A Force to Be Reckoned With, desloca a ação para 1997 e apresenta uma das novidades mais interessantes da temporada.
Já adulto, Nathan retorna ao presente para recrutar Jubileu e Mancha Solar, formando uma nova versão da X-Force. A missão do grupo é localizar Guerra, um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, cujo paradeiro leva a equipe até o Rio de Janeiro.
A investigação termina em um grande confronto quando a X-Force cruza o caminho da X-Factor, equipe financiada pelo governo americano formada por Havok, Polaris, Fortão, Lupina, Madrox e Val Cooper. O embate entre os dois grupos rende uma sequência de ação dinâmica e reforça como a temporada pretende explorar diferentes perspectivas do universo mutante.
Também chama atenção a presença de Emma Frost, que atua de maneira independente e rapidamente demonstra ser uma peça importante na história, transitando entre interesses distintos sem se comprometer completamente com nenhum deles.
Mas quem realmente rouba a cena é Jubileu. Depois de décadas sendo lembrada como uma das integrantes mais subaproveitadas da equipe, a personagem finalmente recebe espaço para mostrar toda a força de seus poderes e seu amadurecimento. A animação faz justiça à heroína, colocando-a no centro da ação e revelando um potencial que poucas adaptações exploraram até hoje.
Primeiras impressões
Os dois primeiros episódios mostram que X-Men ’97 não sofre da síndrome de uma continuação que tenta apenas repetir fórmulas. Pelo contrário: a série retorna tão boa quanto a temporada anterior justamente porque se permite crescer.
Ao aprofundar a mitologia dos X-Men, introduzir novas equipes, dar protagonismo a personagens historicamente secundários e construir uma narrativa inédita sem perder de vista o legado da animação clássica, a produção demonstra que encontrou o equilíbrio ideal entre inovação e nostalgia. Se esse nível for mantido ao longo da temporada, a série tem tudo para reforçar seu lugar entre as melhores adaptações já feitas do universo mutante.

