A Cozinha: Rainhas do Crime mostra máfia sob olhar feminino

Quando os maridos de Kath, Raven e Angie foram presos, elas resolveram tomar a frente do negócio de agiotagem que os três tocavam durante a década de 1970, no bairro nova-iorquino da Cozinha do Inferno – o mesmo do Demolidor nas histórias da Marvel. É o que acontece em A Cozinha: Rainhas do Crime, HQ do hoje extinto selo Vertigo da DC, publicada aqui pela Panini em agosto do ano passado.

Noite após noite, o trio saía para fazer a coleta de estabelecimentos que haviam pego dinheiro emprestado com juros, enquanto Jimmy, Rob e Johnny cumpriam pena. No entanto, devido a época e o tom do trabalho, elas logo tiveram que engrossar pra mostrar a todos que estavam à altura de tocar o negócio dos companheiros nesse meio tempo. E é aí que tudo começa a dar errado.

Em uma das coletas, as moças acabam tendo problemas com Frank Castellano, membro da máfia italiana, algo que elas acabam descobrindo logo depois de atirar nele e mandá-lo para o hospital em coma. Mais do que o fim dos negócios, a descoberta do crime, para as três, que têm origem irlandesa, significaria morte certa. Mas, quando se fala em dinheiro, vale a pena até estar na mira da máfia. E o sucesso do esquema pode ser outro problema.

Densa e adulta

O que era para ser retomado pelos maridos quando saíssem da prisão, se torna a vida das três em tempo integral. Ao ponto delas estarem decididas a tirar os próprios companheiros da jogada para lucrarem sozinhas. Nisso, logo, se vêem afundando cada vez mais na ilegalidade, em uma trama de traição e morte, que pode acabar custando mais caro do que elas imaginavam.

Com uma bela arte de Ming Doyle e Jordie Bellaire, o roteiro escrito por Ollie Masters traz dezenas de reviravoltas ao longo das páginas que, de fato, surpreendem o leitor. Principalmente no desfecho completamente inesperado. Mas, ao mesmo tempo, totalmente coerente com uma história de gângsteres.

E não pense que a história alivia a mão por ser protagonizada por mulheres. Como uma boa HQ da Vertigo, violência e sexo são pontos frequentes. Assim como a densidade dos personagens. Todo mundo em A Cozinha tem um passado e uma razão que justifica seus atos ao leitor. Então, ainda que você não apoie as personagens, consegue criar empatia por elas, o que torna mais difícil adivinhar quem será poupado enquanto a graphic novel se desenrola.

Assim, seja pelo clima cinematográfico – que rendeu uma adaptação com Melissa McCarthy, Tiffany Hadidsh e Elizabeth Moss no elenco (leia nossa crítica) – A Cozinha: Rainhas do Crime é uma narrativa firme e adulta, um pulp que não fica devendo para nenhum outra mídia no gênero.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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