80 anos do Batman: 8 quadrinhos que todo mundo deveria ler

No último dia 29 de março, o Batman comemorou seus 80 anos. Mas, a história do Cruzado Encapuzado, sua ligação com Leonardo DaVinci (ficaram curiosos, né?) e a colaboração de Bill Finger para que ele se tornasse o personagem de hoje, você pode ler na Wikipedia. Então, a nossa sugestão são oito ótimas histórias não tão conhecidas do Batman para você comemorar o aniversário do maior detetive do mundo onde ele surgiu: nos quadrinhos.

Vítimas Inocentes

Em Vítimas Inocentes, publicada originalmente em 1996 (e que saiu no Brasil em 2003 pela Mythos Editora), o Batman vai para a Kravia, investigar a morte de um funcionário das empresas Wayne e em busca de sua filha desaparecida. O roteiro de Dennis O’Neill, conta com os desenhos de Joe Stanton e, principalmente, a arte final de Bill Sienkiewicz para passar o impacto da narrativa. O ponto alto da HQ é quando o Batman contraria um de seus princípios de seu código de honra e usa uma arma para explodir minas terrestres enquanto enfrenta um exército paramilitar.

E o melhor dessa história é seu impacto no mundo real, com renda das vendas originais revertida para instituições que visam acabar com o perigo das minas terrestres em países do Leste Europeu, Oriente Médio e da África. Ponto também para a edição brasileira, que disponibiliza informações na segunda e terceira capas sobre as minas e as entidades que procuram destruí-las.

Batman Versus Aliens

Crossovers são uma boa pedida. É a chance de ver nos gibis os encontros épicos que adoraríamos ver nos cinemas. No primeiro encontro do Batman e dos Aliens, que saiu em 1997, o Morcego está novamente fora de Gotham em busca de um funcionário desaparecido da Waynetech. Desta vez na fronteira do México com a Guatemala, onde acaba cruzando com uma equipe de mercenários e uma nave alienígena semidestruída.

Com a arte de Bernie Wrightson, a história escrita por Ron Marz poderia tranquilamente ser o filme nunca feito da franquia Alien, tamanha a presença de elementos que permeiam os longas da criatura extraterrestre, como a ganância humana temperada pelo clima de suspense, terror e sobrevivência, que testa as habilidades e a inteligência do Batman até o limite. A história foi publicada aqui pela primeira vez em duas partes pela Mythos em 1998 e é possível encontrar a edição encadernada em sebos e comic shops.

Terra de Ninguém

Uma das mais longas sagas do Batman já publicadas, Terra de Ninguém saiu no início dos anos 2000 nos títulos publicados mensalmente pela Abril Jovem, que depois foram unificados. Composta por diversas histórias, escritas por talentos como Dennis O’Neil e Greg Rucka, a história é a continuação do arco Cataclismo, no qual um terremoto atinge Gotham City.

Em Terra de Ninguém, a ajuda humanitária cessa e deixa Gotham em um estado praticamente feudal, no qual alguns viram a oportunidade perfeita para saquear e lucrar, enquanto outros sofrem por não terem deixado a cidade a tempo. Cabe ao Batman e sua equipe (composta por nada menos que Batgirl, Oráculo, Asa Noturna, Robin e Azrael) ajudar os homens de confiança do Comissário Gordon a proteger os inocentes.

Com narrativas que exploram os limites dos ser humano em situações extremas como a fome, tanto as histórias curtas como o casal que encontra por acidente o esconderijo do Coringa, quanto os arcos mais longos valem a leitura. Terra de Ninguém também marca o debute da Arlequina nos quadrinhos, depois dela fazer sucesso na série animada do Batman. Cataclismo e Terra de Ninguém foram republicados na íntegra pela Eaglemoss em encadernados de capa dura, mas já prepare o bolso porque os volumes estão entre os mais caros dessa lista…

O Cálice

Ilustrada em estilo semelhante a uma aquarela por John Van Fleet, O Cálice é uma história escrita por Chuck Dixon na qual Bruce Wayne é escolhido como guardião de nada menos do que o Santo Graal. Mas as lendas são mesmo verdadeiras? O vilão milenar Rha’s Al Ghul acredita que sim e está disposto a tudo para colocar suas mãos no artefato. Mas ele não é o único a querer tirar a peça das mãos de Bruce.

Contrastando com o ceticismo do Batman, o cunho religioso de O Cálice levanta questões e traz um final inesperado, porém, ao mesmo tempo condizente com o personagem. Foi publicado no Brasil em um volume único no final de 2004.

Rastro de Pólvora

Escrita por Ann Nocenti e com arte de Ethan Van Sciver, Batman & Mulher-Gato Rastro de Pólvora é uma das histórias mais polêmicas do Batman. Na trama, uma arma inteligente, que nunca erra seus alvos, surge em Gotham e agita o submundo da cidade. O Morcego, claro, quer tirá-la de circulação, e as coisas se complicam quando a Mulher-Gato, que já tinha demonstrado interesse em roubar o armamento, acorda sem memória em meio a diversos corpos no chão.

Entre o código moral do Batman – e sua restrição a armas de fogo – e a lei das ruas que a Mulher-Gato conhece bem, Rastro de Pólvora traz dados e argumentos – de ambos os lados – para agitar qualquer discussão sobre desarmamento.

Noel

Escrita e – belissimamente – ilustrada por Lee Bermejo, Noel é um conto de Batman passado no inverno de Gotham, enquanto ele segue um capanga novato do Coringa. Baseado na história Um Conto de Natal, de Charles Dickens, o autor coloca o Homem-Morcego na pele do ranzinza Scrooge, com a Mulher-Gato, o Coringa e até Superman fazendo as vezes dos fantasmas doo Natal passado, presente e futuro.

Publicada originalmente nos Estados Unidos em 2011, Batman: Noel saiu aqui no Brasil em 2014 com o tratamento que essa edição merece: um bonito encadernado de capa dura e papel especial.

Cavaleiro Branco

Na verdade, será que o Batman não passa mesmo de um miliciano em Gotham City? Se ele quer mesmo ajudar a cidade, por que não divide sua tecnologia com a polícia? Essas e outras perguntas são respondidas no roteiro de Sean Murphy, que também assina a arte de Cavaleiro Branco, publicada aqui entre 2018 e o início de 2019, na forma de minissérie em oito edições.

Na história, o Coringa, em uma última cartada para derrotar o Batman, é curado de sua insanidade e inicia uma cruzada para expor o Cavaleiro das Trevas como ameaça à cidade, usando meios e argumentos legais bons o suficiente até para deixar um leitor veterano em dúvida. Um ótimo exercício de imaginação e que levanta discussões pertinentes sobre o papel do herói e os limites da justiça na cidade mais perigosa da Terra.

Batman & Sinal

Se tem algo que o Batman soube fazer tão bem quanto colecionar vilões ao longo dos anos, foi reunir aliados. Duke Thomas, o Sinal, é o mais recente deles e o primeiro da Batfamília a ter superpoderes. Além de ser meta-humano, outro ponto que destoa o personagem do universo do Morcego é a roupa amarela brilhante e o fato de atuar durante o dia, mostrando que Bruce Wayne está tentando uma nova estratégia para manter Gotham segura.

O gibi, escrito por Tony Patrick e Scott Snyder e com arte de Cully Hamner e Laura Martin, não conta a origem, contudo, introduz Sinal como o ótimo personagem que está destinado a ser, bem como sua dinâmica com o Batman e outras figuras de Gotham, enquanto tentam desvendar uma misteriosa “epidemia” de jovens que desenvolvem poderes e morrem em seguida. Batman & Sinal saiu como edição especial pela Panini em fevereiro deste ano.

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Carlos Bazela

Carlos Bazela

Jornalista e leitor compulsivo, gosta de cerveja, café e chá preto não necessariamente nessa ordem. Fã de boas histórias, principalmente daquelas contadas por meio de desenhos e balões.

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