2015: Um bom ano para as super-heroínas na TV

No cinema, elas ainda não conseguiram todo o espaço que merecem. Porém, neste ano, na TV, as heroínas ganharam séries próprias e/ou se destacaram em atrações de protagonismo misto. Afinal, em 2015, as fãs (e o público geral!) puderam acompanhar as estreias de Agent Carter, Supergirl e Jessica Jones, e ver personagens femininas assumindo importância em programas populares, como Arrow, The Flash, Gotham, Agents of S.H.I.E.L.D. e Demolidor. Ou seja, apesar das polêmicas envolvendo a Viúva Negra (Scarlett Johansson, de Lucy) nas telonas – ela foi excluída de produtos de Vingadores: Era de Ultron – houve avanço na representatividade da mulher.

Encarregada de abrir 2015, Agent Carter trouxe as aventuras de Peggy Carter (Hayley Atwell, de Os Pilares da Terra), conhecida por participações nos filmes do Capitão América. Lançado em janeiro nos EUA, o seriado se passou em 1946, após a suposta morte de Steve Rogers (Chris Evans, de Expresso do Amanhã), quando Peggy foi rebaixada a secretária da Reserva Científica Estratégica. Lutando contra o preconceito dos “colegas” de trabalho, a moça realiza missões que nenhum homem é capaz de encarar, salvando Howard Stark (Dominic Cooper, de Preacher) e a cidade de Nova York. Agent Carter teve recepção positiva, foi renovada e sua segunda temporada começa em 19 de janeiro de 2016.

Peggy Carter não é mais um na multidão.

Peggy Carter (Atwell) não é só mais um na multidão.

Com a mitologia da DC Comics já estabelecida na TV, o momento era propício para uma super-heroína entrar em ação, e a Supergirl foi escolhida. Mantendo os moldes de Arrow e The Flash, a produção estreou em outubro para mostrar os primórdios de Kara Danvers (Melissa Benoist, de Glee) como a Garota de Aço. Desenvolvida para falar com as meninas, Supergirl coloca sua protagonista diante de coisas do cotidiano feminino, como insegurança, uma chefe difícil e a paixonite secreta pelo fotógrafo James Olsen (Mehcad Brooks, de True Blood). Leve e divertida, a série teria apenas 13 capítulos na primeira temporada, mas outros 7 foram encomendados pelo canal CBS.

Com série própria, a Supergirl mostra que é tão poderosa quanto seu primo, o Superman!

Com série própria, a Supergirl (Benoist) mostra que é tão poderosa quanto seu primo, o Superman!

Envolvente e voltada para o público adulto, Jessica Jones levou o ambiente dark dos gibis para o catálogo da Netflix. Em 13 episódios, o programa apresentou uma heroína diferente do panteão da Marvel, isto é, uma moça depressiva, paranoica, cética e que usa seus poderes para ganhar dinheiro como investigadora particular. Tendo Krysten Ritter (Breaking Bad) na pele de Jessica Jones, a atração fez uma bela adaptação da premiada série de quadrinhos Alias, abordou o abuso de álcool e, em outros aspectos, também aproximou a personagem das espectadoras. Por outro lado, Jessica Jones errou ao retratar Kilgrave (interpretado de forma extraordinária por David Tennant, de Doctor Who) como uma espécie de ex-namorado de Jessica e não como um estuprador. Não há informações sobre a 2ª temporada.

Em Hell's Kitchen, os dias de Jessica Jones (Ritter) não são nada fáceis.

Em Hell’s Kitchen, os dias de Jessica Jones (Ritter) não são nada fáceis.

Ainda no Universo Marvel, a inumanidade de Skye (Chloe Bennet, de Tinker Bell e o Monstro da Terra do Nunca) impulsionou a importância do papel da jovem (em Agents of S.H.I.E.L.D.), que, além disso, adquiriu nova identidade, sendo agora chamada de Daisy Johnson (famosa nas HQs). Neste princípio de terceira temporada, outro destaque é Jemma Simmons (Elizabeth Henstridge, de Lute Por Sua Vida), pois a cientista se tornou muito mais relevante, estrelando o melhor episódio em Agents of S.H.I.E.L.D. até hoje, intitulado 4,722 Hours.

Nos programas baseados nos gibis da DC Comics, Arrow foi palco de uma ascensão das heroínas, uma vez que Laurel (Katie Cassidy, de Supernatural) e Thea (Willa Holland, de Legião) passaram a integrar o Team Arrow ao lado de Felicity (Emily Bett Rickards, de Arena dos Sonhos 2). Em The Flash, Iris (Candice Patton, de The Game) deixou de ser interesse amoroso de Barry (Grant Gustin, de 90210) para atuar como jornalista investigativa e aliada do velocista de Central City. Enquanto isso, em Gotham, a Mulher-Gato adolescente (Camren Bicondova, de No Ritmo do Passinho) tem sido essencial para as investigações de James Gordon (Ben McKenzie, de Isolados do Mundo), e uma versão feminina do vilão Firefly (no Brasil, traduzido para Vagalume) surgiu nos capítulos Scarification e By Fire.

Neste 2015, Laurel Lance (Cassidy) assumiu de vez o manto de Canário Negro!

Neste 2015, Laurel Lance (Cassidy) assumiu de vez o manto de Canário Negro!

Em 2016, Elektra Natchios (Elodie Yung, de G.I. Joe: Retaliação) debutará em Demolidor, a heroína Vixen sairá de uma animação para participar de Arrow (Megalyn Echikunwoke, de The 4400) e a Canário Branco (Caity Lotz, de Mad Men). Já a Mulher-Gavião (Ciara Renée, de Law & Order: Special Victims Unit) estarão em Legends of Tomorrow.

Agora, é torcer para que as heroínas continuem conquistando mais espaço na TV (e nos cinemas, quadrinhos, games…)!

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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