1ª temporada: O Justiceiro tem trama politizada em clima de espionagem

Com tiro, porrada e bomba, O Justiceiro chegou à Netflix em sua série solo, após estrelar três longas-metragens em live-action, um filme animado e realizar participação na 2ª temporada de Demolidor (saiba mais). Mas será que, em sua primeira temporada, o anti-herói da Marvel matou a pau? Criada por Steve Lightfoot (Hannibal), a atração original acompanha a sequência da vingança de Frank Castle contra os responsáveis pela morte de sua família, numa história que fala sobre os traumas de veteranos de guerra, políticas de desarmamento e operações militares ilegais.

Para quem queria ver Frank Castle distribuindo violência, o anti-herói passa pouco tempo com o traje de Justiceiro. (Foto: Netflix)

Novamente encarnado pelo ator Jon Bernthal (o Shane, de The Walking Dead), o personagem criado pelos quadrinistas Gerry ConwayJohn Romita Sr. e Ross Andru chega ao serviço de streaming protagonizando uma saga intricada e atual, cheia de assuntos em destaque nos noticiários. Deste modo, para punir os chefes do esquema que traficava drogas do Afeganistão – que, numa queima de arquivo, resultou no assassinato de Maria, Lisa e Frank Castle Jr. –, Frank Castle retorna à ativa declarando guerra ao “sistema”, que abriga corruptos na CIA, NSA e Exército.

Contemporânea, a trama de O Justiceiro tem Micro como uma espécie de Edward Snowden. (Foto: Netflix)

Depois de caçar os cartéis mexicanos, os irlandeses e os motoqueiros, Frank precisa de mais do que força bruta e poder de fogo para deter seu novo inimigo. Surge então David Lieberman (Ebon Moss-Bachrach, de Girls) – vulgo Micro –, um ex-analista da NSA (Agência de Segurança Nacional), que tentou expor as falcatruas do governo e terminou caçado e dado como morto, tendo que sobreviver longe da família. Desaparecido há 1 ano, “Microchip” enxerga Castle como o parceiro ideal para neutralizar a corrupção instaurada nos departamentos de segurança e inteligência dos EUA.

Madani parece ser uma das poucas pessoas querendo respostas sobre o que houve no Kandahar. (Foto: Netflix)

Seguindo o rastro do misterioso Agente Orange (Paul Schulze, de Nurse Jackie), Justiceiro e Micro chamam a atenção de Dinah Madani (Amber Rose Revah, de O Filho de Deus), da NSA, e da repórter Karen Page (Deborah Ann Woll, de Demolidor), do jornal Boletim de Nova York, além de envolver o mercenário Billy Russo (Ben Barnes, de Westworld) – personagem que, futuramente, será conhecimento como o vilão Retalho. Assim sendo, o enredo se desenvolve em um clima muito mais de espionagem do que de ação, semelhante ao que se vê na franquia de Jason Bourne.

Agente Orange comanda operações secretas no Afeganistão, ordenando que soldados americanos executem civis. (Foto: Netflix)

Embora a caça ao Agente Orange/William Rawlins seja a trama principal, a série original da Netflix investe bastante tempo em retratar a situação dos veteranos de guerra em solo estadunidense – uma população cada vez maior, que convive com graves danos psicológicos, lesões corporais permanentes e dificuldades para se encaixar na sociedade civil. Com Castle sendo exatamente uma dessas vítimas, Marvel’s The Punisher abre espaço para um grupo de apoio organizado pelo paramédico amputado Curtis Hoyle (Jason R. Moore, de O Aprendiz de Feiticeiro).

Curtis Hoyle e Lewis Walcott representam o que pode acontecer a veteranos de guerra. (Foto: Netflix)

Outro ponto importante da atração é a questão da regulação de porte de armas em território norte-americano, um assunto delicado, mas que, pela ausência de uma legislação mais rigorosa, tem sido pauta de debates públicos devido aos recentes ataques de atiradores (registrado em outubro deste ano, o caso ocorrido em Las Vegas deixou 59 mortos e mais de 500 feridos) e alta incidência de crimes de ódio. Como exemplo, a obra utiliza a ameaça do jovem Lewis Walcott (Daniel Webbr, de 11.22.63), que, por sofrer de distúrbios mentais, coloca em prática ações terroristas.

Ex-fuzileiro naval, Billy Russo é chefe do grupo militar privado Anvil e antigo amigo de Castle. (Foto: Netflix)

Composta por 13 episódios, a 1ª temporada de Marvel – O Justiceiro mostra o segundo passo da “carreira” de Frank como anti-herói vigilante, porém, dedica horas demais à apresentação dos dramas da família de Micro e investigações de Dinah Madani, economizando na ação – o combo “adrenalina + violência extrema” é servido somente nos capítulos 1, 10, 11, 12 e 13. Longe de bater a estreia de Demolidor – o que, de certa forma, frusta toda a expectativa gerada –, o seriado menciona a mafiosa Mama Gnucci, trabalha na criação de Retalho e, assim, indica um futuro mais promissor.

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Henrique Almeida

Henrique Almeida

Jornalista formado pela FIAM e fundador do Boletim Nerd. Foi colaborador da Coluna Mundo Geek, da GloboNews, e foi palestrante na Campus Party Brasil. Realizou a cobertura da Comic Con Experience, Brasil Game Show e Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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