Muito antes de se tornar um dos maiores inimigos dos X-Men, Apocalipse era apenas um garoto rejeitado por sua própria aparência. É justamente essa transformação que X-Men: A Ascensão de Apocalipse, minissérie publicada originalmente em 1996 e lançada no Brasil pela Editora Abril, se propõe a contar.
Com apenas quatro edições, a HQ se consolidou como a origem definitiva de En Sabah Nur, oferecendo não apenas respostas sobre seu passado, mas também explicando por que o personagem acredita que apenas os fortes merecem sobreviver. Trinta anos depois, a obra voltou aos holofotes por servir de uma das principais inspirações para a segunda temporada de X-Men ’97, que adapta diversos momentos da história.
A origem do primeiro mutante
A trama começa há cerca de cinco mil anos, no Egito Antigo.
Por nascer com pele cinzenta, olhos incomuns e traços considerados monstruosos, o bebê En Sabah Nur é abandonado pelos próprios pais. Ele é encontrado por Baal, líder dos Saqueadores da Areia Rubra, que decide criá-lo como filho.
É Baal quem transmite ao garoto a filosofia que definirá toda sua vida: em um mundo cruel, apenas os fortes sobrevivem.
Essa ideia, inspirada na seleção natural, passa a orientar todas as decisões de En Sabah Nur e, futuramente, justificará suas guerras contra a humanidade e até contra outros mutantes.
O encontro com Rama-Tut
Um dos maiores acertos da minissérie é conectar a origem de Apocalipse a outro personagem importante da Marvel: Rama-Tut.
Na história, o faraó do Egito é, na verdade, uma das identidades assumidas por Nathaniel Richards, o viajante temporal que mais tarde seria conhecido como Kang, o Conquistador.
Ao descobrir a existência de En Sabah Nur, Rama-Tut tenta impedir que ele alcance o destino que mudará a história da humanidade. O confronto acaba despertando os primeiros grandes poderes do jovem mutante e estabelece uma rivalidade que atravessa o tempo.
Essa ligação ganhou ainda mais importância em X-Men ’97, que também coloca Rama-Tut no centro da ascensão de Apocalipse.
Muito mais do que uma origem
Embora seja frequentemente lembrada apenas por explicar o passado de Apocalipse, A Ascensão de Apocalipse faz algo mais interessante: humaniza seu protagonista.
A HQ mostra que En Sabah Nur não nasceu como um conquistador sedento por poder. Ele foi moldado por abandono, violência, guerras e perdas até acreditar que compaixão era sinônimo de fraqueza.
Essa construção transforma o personagem em um antagonista muito mais complexo do que um simples vilão interessado em dominar o mundo.
A base da mitologia moderna de Apocalipse
Além de apresentar Baal e Rama-Tut, a minissérie estabelece elementos que permanecem fundamentais na cronologia da Marvel.
É nela que o leitor acompanha o despertar dos poderes de En Sabah Nur, sua aproximação com a tecnologia dos Celestiais, a origem de sua filosofia e os primeiros passos rumo à figura conhecida como Apocalipse.
Praticamente todas as histórias modernas envolvendo o personagem, incluindo adaptações para cinema, televisão e animação, partem das bases construídas nessa HQ.
Vale a pena ler?
Mesmo sendo uma obra relativamente curta, X-Men: A Ascensão de Apocalipse continua sendo uma leitura essencial para quem deseja compreender um dos maiores vilões da Marvel.
Mais do que revelar sua origem, a minissérie mostra como um menino abandonado se transformou no primeiro grande mutante da história e em uma ameaça capaz de atravessar milênios. Para quem acompanha a segunda temporada de X-Men ’97, a HQ também funciona como um complemento quase obrigatório, ampliando o contexto de personagens como En Sabah Nur, Baal e Rama-Tut e demonstrando o cuidado da animação em adaptar momentos marcantes dos quadrinhos.

